O vice-prefeito de Uberlândia, Vanderlei Pelizer, filiado ao PL, está prestes a retornar ao Brasil após uma viagem a Israel que provocou repercussões políticas em sua cidade. Ele deixou o território israelense na quarta-feira, dia 18, e deve chegar a Uberlândia nos próximos dias, enfrentando a pressão de um pedido de impeachment protocolado na Câmara Municipal pelo vereador Dr. Igino, do PT. A solicitação se baseia na decisão de Pelizer de permanecer em Israel, mesmo diante da ausência do prefeito Paulo Sérgio Ferreira, que viajou para o Japão na terça-feira, dia 17, para participar de uma exposição organizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Com ambos os cargos do Executivo municipal ausentes, a cidade ficou, ainda que temporariamente, sem seus principais gestores.

O pedido de cassação foi formalizado na terça-feira e deve ser incluído na pauta da próxima sessão ordinária da Câmara Municipal, prevista para o início de julho. De acordo com o vereador petista, Pelizer recusou-se a retornar ao Brasil quando outras autoridades brasileiras, como o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, decidiram deixar Israel por via terrestre em direção à Jordânia. No documento apresentado à Câmara, Igino afirma que “o vice-prefeito Vanderlei Pelizer, mesmo diante da ausência do prefeito, optou por permanecer em Israel, recusando-se a retornar ao Brasil para assumir suas responsabilidades”. O parlamentar considera a decisão uma negligência com as obrigações do cargo.

A justificativa apresentada pela assessoria de Pelizer foi de que a permanência em Israel se deu por razões de segurança. Segundo a nota oficial, “a decisão foi tomada com base na recomendação direta das autoridades israelenses, que orientaram que a permanência em Kfar Saba – cidade que dispõe de abrigos e estrutura de segurança – representa, neste momento, a alternativa mais segura diante do cenário de tensão causado pelos recentes ataques entre Israel e Irã”. Ainda assim, o vereador questiona o compromisso do vice-prefeito com a administração municipal e critica sua permanência em solo estrangeiro mesmo com o alerta do Ministério das Relações Exteriores, que orientava a não realizar viagens ao país em função dos riscos de escalada no conflito.

Outro ponto levantado pelo parlamentar refere-se ao custeio da viagem de Pelizer. O vice-prefeito teria viajado a convite da Embaixada de Israel e de empresas daquele país. Para Igino, isso levanta suspeitas sobre possível conflito de interesses. “Essa circunstância levanta sérias preocupações quanto à moralidade administrativa e à potencial configuração de conflito de interesses, uma vez que o recebimento de vantagens, mesmo que sob a forma de ressarcimento de despesas, de entidades estrangeiras, pode comprometer a imparcialidade e a probidade exigidas de um agente público”, afirma o pedido de impeachment.

Embora a Lei Orgânica de Uberlândia determine que o prefeito só deve nomear um substituto caso a ausência do país ultrapasse 15 dias – limite que não seria atingido nas viagens em questão –, o vereador do PT argumenta que a ausência simultânea do prefeito e do vice gera prejuízos à gestão pública. Para ele, esse vácuo de comando compromete a continuidade da prestação de serviços essenciais à população e viola o princípio do interesse público. A Câmara de Uberlândia realiza suas reuniões ordinárias apenas nos primeiros 15 dias de cada mês, o que projeta a análise do pedido de cassação para o início de julho. Para que o processo seja aberto, será necessário o voto favorável da maioria simples dos vereadores presentes na sessão.

A movimentação do vereador causou reação no campo político. O deputado estadual Caporezzo, também do PL, saiu em defesa de Pelizer. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar justificou a presença do vice-prefeito em Israel como uma tentativa de estabelecer relações comerciais. “Ele foi buscar investimentos para Uberlândia. A guerra começou com o Irã e ele ficou preso agora”, declarou. O caso promete ganhar novos capítulos nos próximos dias, à medida que o retorno de Pelizer ao Brasil se concretize e o clima político na Câmara Municipal se acirre.

Foto: Reprodução


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