A trégua de 12 dias entre Israel e Irã, mediada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em colapso horas após sua implementação, gerando acusações mútuas por ataques que, segundo fontes diplomáticas, violaram os termos acordados. Desde o anúncio oficial, os dois lados se acusam de disparos logo no início da trégua, e Trump manifestou forte insatisfação com ambos.

O cessar‑fogo, divulgado por Trump na noite da segunda-feira, estipulava que o Irã cesse imediatamente os ataques, com Israel seguindo o mesmo caminho 12 horas depois — a partir da meia‑noite local, ou 1 h em Brasília. Agências israelenses confirmaram concordância com esse cronograma, bem como o Irã, segundo a mídia. Contudo, já nas primeiras horas ocorreu o que poderia minar o pacto.

Sirenes de ataque aéreo foram acionadas em todo o território israelense pouco depois do horário de início da trégua. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que aproximadamente 20 mísseis foram lançados contra o país, e que interceptaram em torno de 15 drones iranianos — acusações prontamente negadas pelo Irã. O Exército israelense relatou ainda que salvas foram disparadas após o início do cessar‑fogo, e às 2h08 Brasília Trump declarou publicamente que a trégua estava “em vigor”.

Menos de dez minutos depois, as autoridades de segurança israelenses autorizaram a população a retornar aos abrigos, indicando, em tese, que a situação estava controlada. No entanto, os danos eram evidentes: em Beersheba, no sul do país, o impacto de um míssil atingiu um prédio residencial e matou pelo menos quatro civis.

O governo israelense, por meio do ministro da Defesa Israel Katz, acusou diretamente o Irã e prometeu retaliação. Katz afirmou que, em conjunto com o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu, orientou as Forças Armadas a “responder vigorosamente à violação do cessar‑fogo pelo Irã”, inclusive com “ataques poderosos contra alvos do regime no coração de Teerã”. A Israel Katz destacou que o Irã teria “violado gravemente” a trégua.

Do outro lado, o Estado‑Maior do Irã contestou ter disparado qualquer míssil após a trégua, sentença transmitida pela agência estatal Tasnim. No entanto, em comunicado à imprensa estatal, um porta‑voz das Forças Armadas iranianas acusou Israel de ter lançado três “barragens de mísseis” durante a madrugada, o que teria sido uma clara violação da trégua por parte israelense. O gabinete do premiê Netanyahu havia divulgado anteriormente concordância com a trégua, ressaltando os supostos “tremendos sucessos” da ofensiva militar prévia.

O Ministério da Saúde iraniano anunciou que, nas 24 horas anteriores, 107 pessoas haviam morrido em decorrência dos ataques israelenses. Desde 13 de junho, o número de mortes totalizou 606, conforme a mesma fonte, denotando a gravidade dos confrontos recentes.

Nesta mesma quarta-feira, Israel teria organizado os primeiros ataques iniciais ao Irã, justificando que seu objetivo era impedir a obtenção de uma arma nuclear pelo país persa — cujo programa de enriquecimento de urânio foi intensificado recentemente, segundo analistas internacionais. Embora o Irã afirme que não pretende construir uma bomba atômica, sua capacidade de enriquecer urânio ao limite anterior ao necessário para armamentos gerou pressão global.

Os bombardeios intensos dos últimos dias, que incluíram bombardeios da Força Aérea dos EUA a instalações nucleares iranianas como Fordow, não impediram o país de afirmar nesta terça‑feira que “tomou as medidas necessárias” para garantir que seu programa nuclear continue, conforme declarou Mohammad Eslami, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, via televisão estatal. Eslami informou que reativar as instalações já estava previsto, e que os danos estavam sendo avaliados, com o compromisso de garantir a continuidade da produção.

A extensão real desses danos permanece desconhecida. Um conselheiro do aiatolá Ali Khamenei declarou que o Irã ainda mantém estoques de urânio enriquecido e enfatizou: “o jogo não acabou”. Do lado israelense e norte‑americano, fontes afirmam que os ataques destruíram o que consideravam uma ameaça nuclear real.

Trump, visivelmente frustrado, foi sucinto em suas ordens por texto na rede Truth Social: inicialmente pediu que Israel cessasse os ataques — “Não lancem essas bombas” — e determinou que, caso persistissem, se trataria de “uma grande violação”, solicitando que seus pilotos retornassem imediatamente. Censurou novamente Israel cerca de 40 minutos depois, ao anunciar que “Is­rael não vai atacar o Irã. Todos os aviões darão meia‑volta… ninguém se machucará, o cessar‑fogo está em vigor!”

Antes de embarcar rumo à cúpula da OTAN na Haia, Trump se dirigiu rapidamente aos jornalistas: afirmou que tanto Israel quanto o Irã violaram o acordo. Segundo ele, o fato de Israel “descarregar” seu poder bélico logo após concordar com uma trégua foi decepcionante — e repetiu que também não estava satisfeito com o Irã.

A fragilidade da trégua reacende temores de escalada, principalmente após os recentes ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas em 22 de junho — operações que a administração Trump descreveu como “extremamente bem‑sucedidas”, mas cujo impacto real ainda é contestado por especialistas ([apnews.com][1], [en.wikipedia.org][2], [washingtonpost.com][3]). Em retaliação, o Irã atingiu a base aérea Al Udeid, no Qatar, mas, segundo autoridades, não houve vítimas ([en.wikipedia.org][4]).

Além disso, a ofensiva israelense teria provocado centenas de vítimas civis iranianas, o que levou especialistas em direito internacional a alegar, conforme relatado pela mídia, que tais ações poderiam ser consideradas crimes de guerra.

Com os civis em risco e diplomatas de países como Turquia, Egito, Arábia Saudita e França pedindo moderação, a situação permanece tensa. Operações fundamentais ao programa nuclear persa foram atingidas, inclusive com mortes de cientistas — um golpe significativo, ainda que o Irã sustente estar capacitado a reconstruir suas capacidades.

Trump encerrou uma de suas postagens com firmeza: “o Irã nunca vai reconstruir suas instalações nucleares”, reforçando o tom de advertência constante de Washington.

Neste contexto delicado, governos internacionais têm pedido contenção e voltando-se ao caminho diplomático, mas a confiança na estabilidade do cessar‑fogo segue abalada. O conflito, que já atingiu segundo relatos mais de 600 mortos do lado iraniano e deixou dezenas de civis feridos, mantém a região em alerta máximo.

Foto: John Wessels

 


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