Movimentos negros, organizações sociais e entidades antirracistas divulgaram uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em apoio à nomeação da ministra substituta Vera Lúcia Santana Araújo para uma vaga titular no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso confirmada, Vera será a primeira mulher negra a integrar a cúpula da corte eleitoral. Entre os signatários da carta estão a Coalizão Negra por Direitos, Uneafro Brasil e o Instituto de Referência Negra Peregum.
A formação de uma lista tríplice exclusivamente feminina para a vaga no TSE gerou intensa disputa interna no governo. Além de Vera Lúcia, a advogada Estela Aranha, ex-secretária do Ministério da Justiça, aparece como uma das favoritas. “Segundo a colunista Malu Gaspar, Vera conta com o apoio da primeira-dama Janja”, afirmam aliados próximos.
Vera Lúcia possui uma trajetória consolidada na defesa dos direitos humanos e na luta pela democracia. É fundadora da Frente de Mulheres Negras do Distrito Federal e integra a Coalizão Negra por Direitos. Desde 2023, ocupa a posição de ministra substituta no TSE. Os movimentos que assinam a carta defendem que a sua efetivação como ministra titular é fundamental, ressaltando o impacto simbólico e institucional da indicação.
“A nomeação de Vera Lúcia poderá ser um marco na história do Judiciário brasileiro”, destacam os signatários. “Sua presença contribuirá para o fortalecimento de políticas de equidade racial e de representatividade de grupos historicamente vulnerabilizados”, acrescentam.
O documento enfatiza que, em mais de nove décadas de existência, o TSE nunca teve uma mulher negra como ministra titular. Para os movimentos sociais, a escolha de Lula poderá reafirmar o compromisso com a maioria da população e com a democratização da Justiça.
Em maio, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, denunciou que Vera Lúcia foi vítima de racismo ao ser barrada na entrada da sede da AGU, em Brasília, onde participaria de um evento.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

