O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República no governo de Jair Bolsonaro (PL), criticou nesta terça-feira (16) a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida foi justificada por Trump como uma resposta a supostos “ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e a liberdade de expressão dos americanos”, além de uma forma de apoio a Bolsonaro, que enfrenta processo por tentativa de golpe de Estado. No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) recomendou a condenação do ex-presidente.
Embora tenha saído em defesa de Bolsonaro, Mourão reprovou a interferência internacional. “Existe uma injustiça contra o presidente Bolsonaro? Existe, mas deixa que nós resolvemos por aqui. Não aceito que Greta [Thunberg], Leonardo DiCaprio ou [Emmanuel] Macron venham meter o bedelho em um negócio nosso, então não concordo que o presidente Trump faça isso”, afirmou durante reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado. Ele ainda propôs buscar diálogo com a Comissão de Relações Exteriores do Senado americano para preservar os mais de 200 anos de relações entre Brasil e Estados Unidos.
Também presente à sessão, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, fez um apelo por moderação. “Não podemos alimentar tensões políticas ou dar respostas precipitadas. O caminho deve ser sempre o diálogo. É hora de baixar a temperatura, levantar a cabeça, mas com serenidade e firmeza”, declarou. Para ela, a imposição das tarifas representa um “jogo de perde-perde” para os dois países. “São cadeias altamente eficientes, sustentáveis e geradoras de emprego aqui e também nos Estados Unidos. Esses setores não podem ser penalizados por uma disputa comercial com contornos políticos. A solução precisa vir da mesa de negociação.”
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, também defendeu a busca por entendimento antes de qualquer medida de retaliação. “Antes [de retaliar], é preciso esgotar toda e qualquer possibilidade de negociação”, disse. O setor industrial propôs uma trégua de 90 dias para tentar reverter a decisão do governo norte-americano. Segundo estimativas da própria indústria, caso as tarifas entrem em vigor como anunciado, o Brasil poderá perder mais de 110 mil postos de trabalho, além de sofrer um impacto significativo no Produto Interno Bruto (PIB).
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

