Após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest nesta quarta-feira (17), que revelou um leve avanço na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Palácio do Planalto decidiu intensificar o discurso contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em defesa da soberania nacional. O levantamento indicou que a aprovação de Lula subiu de 40% para 43%, enquanto a desaprovação recuou de 57% para 53%, em comparação com a sondagem anterior, de 4 de junho.
Nos bastidores, assessores de Lula associam a melhora a dois temas recentes que mobilizaram a base do governo: a proposta de taxação dos mais ricos e a reação firme ao tarifaço de 50% anunciado por Trump sobre produtos brasileiros. Para ministros e articuladores, a adoção de uma postura mais assertiva nesses assuntos foi decisiva. “O governo tem defendido um projeto de país com justiça tributária e melhor distribuição de renda. Tem defendido também a soberania nacional diante dos ataques tarifários, com serenidade e diálogo. Isso é forte e dialoga com os interesses da maioria do povo brasileiro. Esses temas garantiram a inflexão nas pesquisas”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).
A defesa de uma linha mais firme ganhou espaço até entre ministros considerados moderados. “A virada começou”, declarou o ministro do Esporte, André Fufuca (PP). O advogado-geral da União, Jorge Messias, atribuiu os resultados à habilidade de Lula em lidar com situações de crise. “A trajetória de Lula evidencia que o povo brasileiro confia em seu presidente como um capitão experiente, capaz de conduzir o país em meio a desafios intensos”, afirmou.
A ministra Sonia Guajajara (Povos Indígenas) afirmou que “a pauta da soberania é histórica para Lula”. Já o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, criticou Trump: “A reação dentro do Brasil é reforçada pela reação do mundo contra as medidas adotadas pelo atabalhoado presidente dos EUA, que segue prejudicando seu povo e se isolando cada vez mais globalmente”.
Apesar da melhora, há cautela entre integrantes do núcleo político do Planalto. Avalia-se que os impactos econômicos das medidas de Trump ainda podem ser sentidos, caso o tarifaço entre em vigor. Embora 72% dos entrevistados considerem a decisão do republicano equivocada, há receio de que os efeitos atinjam setores importantes da economia. Também há preocupação de que o tom mais duro no discurso possa restringir o alcance eleitoral de Lula em 2026, sobretudo entre o eleitorado de centro.
Para lidar com a situação, o governo criou nesta semana um comitê interministerial para discutir o tarifaço, reunindo ministros da área econômica e diplomatas do Itamaraty. A orientação é manter diálogo com empresários e autoridades internacionais, buscando evitar a implementação do pacote tarifário.
Fora do governo, opositores minimizaram a recuperação nas pesquisas. “Pesquisa positiva ao governo, sim, mas será difícil manter”, comentou o presidente do PP, senador Ciro Nogueira. O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, rebateu: “Não se trata apenas de números, mas da esperança voltando, do povo sentindo que tem um governo do seu lado”.
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

