O ex-presidente Jair Bolsonaro classificou como “suprema humilhação” as medidas cautelares impostas contra ele pelo Supremo Tribunal Federal (STF), entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. A declaração foi dada nesta quarta-feira (17), após a instalação do dispositivo na sede da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.
Ao sair do local, Bolsonaro desceu do carro e falou com jornalistas. Negou qualquer intenção de deixar o Brasil ou buscar asilo em embaixadas, mesmo após a decisão judicial que confiscou seu passaporte. “Nunca pensei em sair do Brasil. Sair do país é a coisa mais fácil que tem”, disse. Segundo ele, a alegação de risco de fuga “é um exagero”.
As medidas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes no contexto da ação penal que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro criticou o processo: “O inquérito do golpe é político, não há nada de concreto ali. Espero que o julgamento seja técnico, e não político”.
Questionado sobre a apreensão de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie em sua casa, no Jardim Botânico, em Brasília, o ex-presidente disse que sempre guardou dólares em casa e que pode comprovar a origem dos valores. Em relação a um pen drive encontrado em um dos banheiros da residência, limitou-se a dizer: “Não tenho conhecimento”.
As medidas cautelares incluem uso obrigatório da tornozeleira, proibição de deixar a comarca do Distrito Federal, recolhimento domiciliar noturno das 19h às 6h, e integral nos fins de semana. Bolsonaro também está impedido de usar redes sociais e de manter contato com seu filho Eduardo, com embaixadores e com diplomatas de outros países.
Foto Antônio Cruz / Agência Brasil

