O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou neste sábado que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) intensificou comportamentos considerados ilícitos após a imposição de medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração consta de despacho no qual Moraes determina a inclusão de postagens e entrevistas recentes do parlamentar nos autos da investigação que apura uma possível articulação internacional com o objetivo de constranger ministros do STF e interferir no processo que trata da tentativa de golpe de Estado em 2022.

Segundo o ministro, as ações do filho do ex-presidente foram agravadas após as buscas e apreensões realizadas na sexta-feira, que resultaram na imposição de tornozeleira eletrônica a Jair Bolsonaro, além de outras restrições. Moraes apontou que Eduardo utilizou suas redes sociais para atacar diretamente a Corte e fomentar discursos que atentam contra o Judiciário brasileiro.

Após a adoção de medidas investigativas de busca e apreensão domiciliar e pessoal, bem como a imposição de medidas cautelares em face de Jair Messias Bolsonaro, o investigado Eduardo Nantes Bolsonaro intensificou as condutas ilícitas objeto desta investigação, por meio de diversas postagens e ataques ao Supremo Tribunal Federal nas redes sociais”, escreveu Moraes no despacho.

O documento do STF inclui os links de publicações e entrevistas do deputado e determina que o conteúdo seja incorporado à investigação em andamento. “Diante do exposto, determino a juntada aos autos das postagens e entrevistas realizadas pelo investigado nos links acima referidos”, completou o ministro.

Entre os elementos considerados, estão as trocas de mensagens com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além da movimentação financeira de aproximadamente R$ 2 milhões enviada a Eduardo Bolsonaro e seus contatos com autoridades norte-americanas pedindo medidas contra o STF.

A resposta do governo Trump veio na sexta-feira, com a revogação dos vistos de entrada de ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, do procurador-geral Paulo Gonet e seus familiares. A decisão foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, que alegou defesa da liberdade de expressão como justificativa.

Foto: Fellipe Sampaio /STF

 


Avatar

administrator