O silêncio dos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, únicos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) que não tiveram os vistos americanos revogados pelo governo Donald Trump, tem causado desconforto nos bastidores da Corte. Segundo apuração, colegas consideram “constrangedora” a ausência de gestos públicos ou privados de solidariedade aos demais ministros atingidos pela medida dos Estados Unidos.

“Quando oito de onze ministros são sancionados e os outros três se calam, isso gera um cenário de total constrangimento”, afirmou um magistrado. O incômodo é compartilhado por vários integrantes da Corte, que, apesar da insatisfação, preferem evitar rupturas públicas e manter a “unidade institucional”.

Um segundo ministro do STF destacou que a punição por parte dos EUA está relacionada à defesa da soberania nacional e da independência do Judiciário. “É desmoralizante estar fora do grupo de magistrados que tiveram os vistos revogados”, afirmou. Outro membro do tribunal reforçou: “Cada um vai ter seu papel gravado na história. O foco agora é manter a unidade”.

Embora não tenham se manifestado oficialmente, alguns gestos isolados ocorreram, como uma conversa entre Luiz Fux e o presidente do STF, Luís Roberto Barroso. No entanto, outros ministros relataram que não receberam nenhum contato dos três colegas não afetados pelas sanções.

A revogação dos vistos foi anunciada em 18 de julho pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e atingiu Alexandre de Moraes, “seus aliados e familiares imediatos”. A medida foi adotada após Moraes determinar o uso de tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado por suposta tentativa de golpe.

Foto: Gustavo Moreno/STF

 


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