O coronel do Exército Fabrício Moreira de Bastos confirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que recebeu e repassou uma carta assinada por oficiais superiores da ativa, que buscava pressionar o alto comando da Força para aderir a um golpe de Estado após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Réu no núcleo 3 da ação penal da trama golpista, o militar foi ouvido nesta segunda-feira em interrogatório conduzido por juiz auxiliar do ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), a “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro” foi usada como instrumento de coação para forçar uma ruptura institucional. A investigação aponta que Bastos encaminhou o documento a outros militares das forças especiais. “O coronel De La Vega sabia que a turma de 1997, da qual eu fiz parte, estava preparando algum tipo de manifesto. Ele pediu que fizéssemos contato com esse documento e encaminhássemos para ele”, relatou Bastos. “Quando isso aconteceu, na segunda pela manhã, eu entreguei uma cópia em mãos para o general.”

Integrante do grupo das Forças Especiais conhecido como “kids pretos”, Bastos disse que o conteúdo do texto era frágil e pouco articulado. “É de uma inocência esses quatro coronéis acharem que eles teriam o condão de pressionar 16 comandantes do Exército. É uma inocência quase franciscana”, comentou. Ele também qualificou a carta como “muito mal escrita” e afirmou que se tratava apenas de um “desabafo”.

A Polícia Federal destacou que a carta foi divulgada após uma reunião em Brasília que discutiu “ações para atingir o ministro Alexandre de Moraes, denominado de ‘centro de gravidade’”. Segundo a corporação, “os generais contrários ao golpe de Estado foram expostos por Paulo Figueiredo”.

Foto: Reprodução

 


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