O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca aproveitar a trégua política gerada pela repercussão do tarifaço de Donald Trump para reorganizar sua base no Congresso Nacional. Após sofrer uma derrota expressiva com a derrubada do projeto que aumentava o IOF, Lula tenta reconstruir alianças para evitar novos reveses. O episódio foi comparado nos bastidores ao desgaste vivido no governo Fernando Collor, dada a ampla maioria com que senadores e deputados votaram contra o Executivo.

Na última semana, Lula se reuniu com ministros do União Brasil e com representantes do MDB para discutir o papel dessas legendas no governo e reforçar o compromisso com a agenda do Palácio do Planalto. O presidente avalia que a recente crise provocada pela decisão de recorrer ao Supremo Tribunal Federal para restabelecer a cobrança do IOF aumentou a resistência das lideranças parlamentares e intensificou o clima de desconfiança.

Com o União Brasil, que detém três ministérios, Lula adotou um tom mais direto. Cobrou maior lealdade e criticou declarações públicas contrárias ao governo, feitas por integrantes da legenda. “Eles estão mamando e ainda estão miando”, resumiu um assessor presidencial, expressando o incômodo com a postura dúbia do partido. Lula também pediu que a legenda defina se deseja continuar ou não na base aliada.

O encontro também abordou críticas do presidente do União, Antonio Rueda, que responsabilizou Lula pela tensão com os Estados Unidos ao defender, na Cúpula dos Brics, a substituição do dólar nas transações comerciais. Rueda ainda sugeriu que o presidente brasileiro deveria telefonar para Donald Trump, em vez de usar a crise como instrumento eleitoral. Declarações do senador Efraim Filho (PB), com ataques ao governo e à primeira-dama Janja, também foram discutidas.

Com o MDB, o tom foi mais conciliador. A conversa concentrou-se na formulação de uma estratégia conjunta para melhorar a articulação política no segundo semestre. Lula ouviu de seus interlocutores que será necessário reconstruir pontes com o Centrão, abalada pela judicialização do IOF, e garantir previsibilidade na liberação de emendas, tema que domina as queixas parlamentares.

Participaram da reunião os ministros Simone Tebet, Renan Filho e Jader Filho, além dos líderes Isnaldo Bulhões e Eduardo Braga. Nas próximas semanas, Lula pretende repetir o gesto com outros partidos, como o PSD, também presente no governo, mas nem sempre fiel nas votações.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 


Avatar

administrator