Durante audiência pública na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, especialistas defenderam a necessidade de regulamentar a publicidade ambiental para combater o chamado “greenwashing” — prática em que empresas divulgam informações falsas ou exageradas sobre suas ações sustentáveis. A proposta visa garantir mais transparência ao consumidor e coibir estratégias enganosas usadas por grandes corporações.
Julia Dias, do Programa de Consumo Responsável e Sustentável, apresentou dados que indicam que 85% das alegações ambientais feitas por empresas no Brasil são classificadas como “mentiras verdes”. Ela informou que já foi sugerido ao Ministério da Justiça um decreto para tratar do tema e elogiou o Projeto de Lei 1008/25, que propõe uma certificação para atestar a sustentabilidade de empresas. No entanto, advertiu que “só a certificação pode não ser suficiente, porque empresas certificadas cometem crimes ambientais”.
Suely Araújo, representante do Observatório do Clima, reforçou a necessidade urgente de regulamentação e citou o caso da barragem de Brumadinho, que desmoronou em 2019, apesar da empresa responsável possuir certificações ambientais. “A pressão sobre as empresas só vai aumentar com o agravamento das mudanças climáticas”, alertou.
Nicole Sanchotene, do NetLab da UFRJ, destacou que metade dos 2.798 anúncios sobre transição energética analisados nas redes sociais continha publicidade verde enganosa. “Além de alegações exageradas, vagas ou distorcidas, identificamos estratégias sofisticadas para confundir os consumidores. Entre elas, a proliferação de selos e certificados emitidos por entidades com interesses comerciais e credibilidade questionável”, explicou.
Para o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), a urgência da pauta ficou evidente. “Praticamente todas as grandes corporações praticam a maquiagem verde. Isso revela tanto a força da propaganda enganosa quanto a crescente exigência ambiental por parte da sociedade”, declarou.
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

