A Reunião Ordinária de Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta terça-feira, dia dezenove, foi marcada por discursos de parlamentares que repercutiram o lançamento da pré-candidatura do governador Romeu Zema à Presidência da República. O evento ocorreu em São Paulo no último sábado, dia dezesseis, e rendeu críticas contundentes da oposição, que classificou a movimentação como prematura e frágil politicamente.
O deputado Cristiano Silveira (PT) considerou o lançamento um fiasco, destacando que apenas dez deputados estaduais mineiros compareceram. “Zema disse que quer varrer o PT da política. Todos que fizeram esse discurso foram derrotados pelo PT e acabaram varridos da política”, afirmou. Ele também comentou a fala do vereador Carlos Bolsonaro, que chamou governadores de direita de “ratos” por tentarem herdar o eleitorado do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Ninguém quer defender Bolsonaro porque ele é indefensável. Mas eles querem o espólio político de Bolsonaro. É tudo oportunismo do momento”, disse.
A deputada Bella Gonçalves (Psol) classificou a pré-candidatura como “tragicômica”. Segundo ela, o movimento nasce fragilizado pela ausência de fundo partidário, tempo de televisão e apoio político. “Ela nasce morta, sem um projeto para o País”, avaliou.
Na mesma linha, o deputado Leleco Pimentel (PT) afirmou que a iniciativa é “motivo de vergonha”. Para ele, o Partido Novo carece de estrutura e Zema está fadado ao fracasso. Já o deputado Caporezzo (PL) atacou a movimentação de governadores de direita que visam captar o eleitorado bolsonarista. “Estão como urubus, esperando Bolsonaro cair morto no deserto, para ficar com a multidão que o segue. Estão falando em pré-candidaturas de maneira totalmente precoce”, declarou. O parlamentar ainda chamou Zema de “canalha” por críticas feitas ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante entrevista à CNN.
Outro ponto de crítica veio do deputado Ricardo Campos (PT), que condenou a decisão do cerimonial do Governo de Minas de pedir à prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que não aparecesse ao lado de Zema na inauguração de uma obra de contenção de enchentes. Para o parlamentar, a atitude foi “pequena, lamentável, descabida e de desrespeito às mulheres”. Ele lembrou que a obra contou com recursos municipais e do acordo de reparação de Brumadinho. “Zema está confundindo o papel de pré-candidato com o de governador”, comentou. Bella Gonçalves também abordou o caso, elogiando a postura de Marília Campos, que deixou o evento após o episódio. “Foi um gesto de enorme grandeza e merece reconhecimento”, declarou.
O deputado Doutor Jean Freire (PT) criticou outra fala do governador, que em entrevista à BBC Brasil comparou pessoas em situação de rua a carros estacionados em locais proibidos. “Eu desafio o governador a ir às ruas comigo, para ver o nosso povo passando fome e frio”, afirmou.
Foto: Guilherme Bergamini

