Quase metade da população brasileira (48%) considera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT estão agindo de maneira mais correta diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que elevaram em 50% o custo sobre produtos brasileiros. Em contrapartida, 28% avaliam que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados são os que mais acertam no enfrentamento à crise. Outros 15% acreditam que nenhum dos dois campos políticos age corretamente, enquanto 9% não souberam ou preferiram não responder.
O resultado representa uma melhora para Lula em relação ao levantamento anterior, quando 44% dos entrevistados apontavam a postura petista como a mais adequada. Já os bolsonaristas registraram oscilação negativa, passando de 29% para 28%.
A percepção sobre as motivações do presidente também divide os brasileiros: 41% entendem que Lula aproveita a situação para se promover, mas 49% acreditam que ele atua em defesa do país. Ele é a figura pública com maior aprovação no combate à crise, sendo visto por 44% como o que mais trabalha para enfrentar os efeitos do tarifaço. Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) aparecem com 24% cada.
A atuação de Eduardo é alvo de forte desconfiança. Para 69% dos entrevistados, o parlamentar age em defesa de interesses próprios e da família, e apenas 23% o veem como alguém comprometido em proteger o Brasil. Eduardo está nos Estados Unidos e tem defendido a imposição de novas sanções em função do julgamento contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
A pesquisa também apontou ampla rejeição às medidas do presidente norte-americano. Para 71% dos brasileiros, Donald Trump errou ao impor as tarifas contra o Brasil por considerar que existe perseguição a Bolsonaro. Outros 21% acreditam que ele está certo, e 8% não souberam responder. A maioria (51%) interpreta a decisão como motivada por interesses políticos pessoais de Trump, enquanto 23% entendem que se trata de uma tentativa de proteger a economia americana.
Em relação às consequências, 77% dos entrevistados acreditam que serão prejudicados pelas altas tarifas, e 64% associam diretamente o impacto à elevação dos preços dos alimentos. Diante desse cenário, 67% defendem que o Brasil busque negociar com os Estados Unidos, ao passo que 28% preferem uma reação imediata por meio da taxação de produtos americanos.
Sobre as chances de sucesso das negociações, há divisão: 48% acreditam que Lula conseguirá alcançar um acordo favorável, enquanto 45% demonstram ceticismo.
O levantamento da Genial/Quaest foi realizado entre os dias 13 e 17 de agosto, com 12.150 entrevistas presenciais em oito estados que concentram 66% do eleitorado brasileiro: Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

