O Palácio do Planalto avalia como “inevitável” a adoção de novas medidas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em resposta ao julgamento da trama golpista que ocorre no Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa é de que a Corte condene Jair Bolsonaro e os demais réus, o que, segundo auxiliares de Luiz Inácio Lula da Silva, obrigará o governo norte-americano a reagir, já que o aumento de tarifas imposto ao Brasil foi diretamente condicionado ao andamento desse processo.

Apesar disso, há incerteza dentro do governo brasileiro sobre qual instrumento Trump pretende utilizar. O chamado “tarifaço” já está em vigor, e uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil também segue em andamento. Assim, a avaliação no Planalto é de que Trump pode optar por uma resposta política, mirando o próprio STF. Um dos cenários considerados é a aplicação da Lei Magnitsky aos ministros da Primeira Turma que votarem pela condenação de Bolsonaro.

Essa lei já foi usada anteriormente contra Alexandre de Moraes, relator do caso. Os outros quatro magistrados que compõem o colegiado — Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Luiz Fux — podem ser os próximos alvos. Fux, no entanto, tem dado sinais de que pode divergir dos colegas. Além disso, ele não foi incluído na lista de ministros que tiveram vistos americanos cancelados. Na ocasião, apenas Kássio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados por Bolsonaro, também ficaram de fora da medida.

Segundo integrantes do governo Lula, Trump busca evitar impactos negativos na economia americana. Essa postura já ficou clara na ordem executiva que oficializou o aumento das tarifas, que poupou boa parte da pauta exportadora brasileira. Ao agir dessa forma, Trump demonstrou priorizar uma resposta política, sem criar prejuízos comerciais significativos.

Para o Planalto, os próximos passos dessa disputa com os Estados Unidos já estão traçados. Ao condicionar o fim das medidas ao recuo do STF, Trump eliminou qualquer espaço para conciliação, pois atender à pressão significaria renunciar à soberania nacional e à independência do Judiciário brasileiro. A equipe de Lula acredita que a nova rodada da ofensiva americana só será lançada após a proclamação do resultado do julgamento, prevista para o fim da próxima semana.

Foto: Cristiano Mariz

 

 


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