A Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais (CGE-MG) alcançou um marco histórico ao se tornar o primeiro órgão do Poder Executivo brasileiro a conquistar o nível 3 do Modelo de Capacidade de Auditoria Interna (IA-CM). Esse modelo é uma certificação internacional reconhecida que avalia a maturidade e a eficiência das atividades de auditoria realizadas por instituições públicas.
Esse reconhecimento coloca Minas Gerais em posição de destaque nacional e internacional, consolidando o estado como referência em práticas de controle interno e governança pública. A conquista atesta que a CGE-MG desenvolve auditorias de forma planejada, integrada e estratégica, contribuindo diretamente para a melhoria da gestão de riscos e para a transparência na administração pública estadual.
A certificação foi concedida pelo Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci), órgão independente responsável pela validação do modelo no Brasil. O processo durou cerca de dois meses e incluiu entrevistas, reuniões e análises de documentos. O governador Romeu Zema celebrou o resultado. “Além de reconhecer a qualidade da auditoria do Estado, a metodologia confirma a eficiência dos serviços e das políticas públicas em Minas. Esse reconhecimento aumenta a confiança da população na nossa gestão e melhora o relacionamento da administração com o setor privado, atraindo mais investimentos para o estado”, afirmou Zema.
Segundo Rodrigo Fontenelle, controlador-geral do Estado, a CGE estabeleceu, desde 2019, um plano de ação voltado a elevar a qualidade da auditoria interna. “Em 2022, alinhados às melhores práticas internacionais, fomos uma das primeiras controladorias a conquistar o nível 2 do IA-CM. Ao longo dos últimos três anos, continuamos trabalhando para atender e institucionalizar todos os requisitos para atingir o nível 3”, explicou Fontenelle.
O Conaci ressalta que o nível 3 representa a estrutura ideal para órgãos de controle, reunindo as condições necessárias para que a auditoria interna seja autônoma, eficaz e estratégica. Contudo, alcançar esse patamar ainda é um desafio, principalmente em municípios que enfrentam limitações estruturais. “O processo de validação é importante não só para a CGE-MG, mas para todo o sistema de controle interno nacional. O exemplo de Minas servirá como referência para que as demais controladorias e unidades de controle também possam atingir o nível 3”, destacou Rodolfo Serrano, representante do Conaci.
A entrega simbólica da certificação ocorrerá no dia 24 de setembro, durante o 21º Encontro Nacional de Controle Interno, em Goiânia. No início deste mês, entre os dias 3 e 5 de setembro, representantes do Conaci estiveram na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, para realizar a etapa presencial de validação, que incluiu análise dos fluxos de trabalho e reuniões com gestores e auditores do estado.
Para atingir o nível 3, a instituição precisa atender a 182 requisitos e 15 indicadores de desempenho, que consideram aspectos como qualidade das avaliações, planejamento baseado em riscos e capacitação contínua dos profissionais. Todos esses processos devem estar implementados, documentados e integrados à rotina da organização.
Durante a validação, participaram Rodolfo Serrano, coordenador da câmara técnica de auditoria e IA-CM, e a auditora Liane Angotti. Igor Martins, auditor-geral da CGE, explicou que a controladoria passou por uma reestruturação completa para se alinhar ao modelo. “Hoje, a CGE trabalha com um universo auditável mais amplo e tudo passa por uma avaliação de qualidade, contribuindo para a entrega de resultados mais adequados”, afirmou Martins.
Além da reestruturação, a CGE investiu na capacitação de sua equipe e na modernização tecnológica. Um dos destaques foi a implementação da metodologia de auditoria contínua, que utiliza extração e análise de dados para aumentar a eficiência e a qualidade do controle interno. Esse projeto rendeu à CGE o prêmio Diligent Latin America Awards em 2023, na categoria “Líder de Auditoria e Gestão de Riscos”.
O IA-CM foi desenvolvido pelo Instituto dos Auditores Internos (IIA) em parceria com o Banco Mundial e é amplamente reconhecido como um padrão internacional para auditoria no setor público. Ele se estrutura em cinco níveis de maturidade, seis elementos de auditoria e 41 macroprocessos, servindo como guia para fortalecer a governança e a confiança pública.
A conquista de Minas Gerais demonstra que é possível alinhar a auditoria pública estadual aos mais altos padrões globais, promovendo transparência, eficiência e segurança na aplicação dos recursos públicos.
Foto: CGE-MG / Divulgação

