A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra o prefeito de Farroupilha, no Rio Grande do Sul, Fabiano Feltrin, por incitação ao crime, após ele sugerir, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, colocar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma guilhotina. O episódio ocorreu em 25 de julho de 2024, durante um evento público em que Feltrin estava ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a denúncia, protocolada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e sob relatoria do próprio Moraes, Feltrin teria incitado publicamente a prática de homicídio. Durante a transmissão ao vivo, realizada no perfil oficial do prefeito no Instagram, um homem comentou que não gostava de uma “estátua em homenagem ao Alexandre de Moraes”. Em resposta, Feltrin disse: “Aqui não tem isso” e, em seguida, afirmou: “A homenagem aqui pra ele eu vou mostrar qual é, Vitorino. É só colocar ele aqui na guilhotina, ó. Aqui a homenagem pra ele”.
As imagens mostram Feltrin segurando um instrumento antigo de punição conhecido como berlinda, semelhante a uma guilhotina, enquanto direciona a câmera para o objeto. O vídeo, gravado em local público com diversas pessoas presentes, foi amplamente divulgado na imprensa e nas redes sociais. A Polícia Federal preservou o conteúdo como parte das investigações.
Para o Ministério Público Federal, a fala do prefeito banaliza crimes contra ministros do STF e representa uma incitação direta à violência. A PGR também solicitou a fixação de um valor para reparação dos danos causados.
Em depoimento à Polícia Federal, Feltrin disse ter ficado “surpreso com a repercussão” e afirmou que suas falas foram “em tom de brincadeira e sem intenção de ofender Moraes”. Até o momento, ele não se manifestou publicamente sobre a denúncia.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

