Após a aprovação unânime na Câmara dos Deputados, o projeto do governo federal que isenta do Imposto de Renda os brasileiros com rendimentos mensais de até cinco mil reais passou a ser amplamente conhecido e apoiado pela população. Segundo a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, a proposta — uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — consolidou-se como uma das bandeiras centrais de sua gestão e tende a ser um trunfo importante na disputa eleitoral do próximo ano.
De acordo com o levantamento, 67% dos brasileiros afirmam ter conhecimento da reforma, um aumento de 11 pontos percentuais em relação à pesquisa de junho, quando a pergunta foi feita pela última vez. O nível de aprovação também cresceu: hoje, 79% apoiam a medida, quatro pontos a mais que no levantamento de julho.
Entre os entrevistados, 41% acreditam que a nova política trará uma “melhora importante” para suas próprias vidas — em março, esse percentual era de 33%. Outros 49% avaliam que a mudança representará uma “melhora pequena”. Além disso, 64% dos participantes da pesquisa disseram concordar com o aumento de impostos sobre os mais ricos como forma de compensar a isenção para as faixas de renda mais baixas, enquanto 29% se mostraram contrários. Desde julho, a diferença entre os que apoiam e os que rejeitam a medida subiu de 26 para 35 pontos percentuais.
A pesquisa também indica que a recuperação da popularidade de Lula foi impulsionada, em parte, pelos eleitores de renda mais alta. Enquanto as faixas de renda baixa e média mantiveram índices de aprovação estáveis, houve um salto de sete pontos percentuais entre os que ganham acima de cinco salários mínimos, grupo no qual 45% agora aprovam o governo — embora a maioria, 52%, ainda o desaprove.
No cenário geral, o presidente registra um empate técnico entre aprovação (48%) e desaprovação (49%). O saldo negativo, que era de dez pontos em julho, foi gradualmente diminuindo ao longo dos últimos meses.
Nas perguntas relacionadas à economia, a percepção sobre o poder de compra no supermercado se manteve estável, mas houve avanço no otimismo para os próximos 12 meses: 43% acreditam que a economia vai melhorar, contra 35% que esperam piora.
A leitura de que a situação econômica piorou no último ano caiu de 48% para 42%, enquanto cresceu o número dos que avaliam que o país permaneceu igual — de 29% para 35%. Os que enxergam melhora seguem em 21%.
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 2 e 5 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Foto: Diogo Zacarias/MF

