O ministro do Turismo, Celso Sabino, decidiu permanecer no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo diante da ameaça de expulsão do União Brasil, partido ao qual ainda está formalmente filiado. A legenda havia dado prazo até 19 de setembro para que ele deixasse o cargo, em alinhamento com a decisão da cúpula partidária de romper com o governo federal. Sabino ignorou a orientação e, agora, enfrenta um processo disciplinar interno que deve resultar em sua saída definitiva.
Licenciado do mandato de deputado federal pelo Pará e pré-candidato ao Senado em 2026, Sabino tem dito a aliados que pretende aproveitar a visibilidade proporcionada por dois eventos de grande repercussão: a COP30, que será realizada em Belém em novembro de 2025, e o Círio de Nazaré, marcado para o próximo fim de semana. Ambos, acredita ele, fortalecerão sua imagem nacional e regional, funcionando como trampolim político para sua futura candidatura.
Segundo interlocutores próximos, o ministro chegou a apresentar uma carta de demissão ao presidente Lula no dia 26 de setembro, mas recuou após receber garantias de apoio direto do Palácio do Planalto à sua campanha. A permanência no ministério, além de manter Sabino em evidência, assegura-lhe influência sobre a destinação de milhões de reais em emendas parlamentares — um trunfo importante até o prazo de desincompatibilização, em março de 2026.
O desafio agora é encontrar uma nova legenda. As opções, no entanto, são restritas. O MDB, principal partido aliado ao governo no Pará, já tem sua chapa ao Senado praticamente definida. O governador Helder Barbalho, em seu segundo mandato e impedido de concorrer à reeleição, pretende disputar uma das duas vagas abertas no Senado, devendo renunciar em março de 2026 para permitir que sua vice, Hana Ghassan (MDB), assuma o governo e busque a reeleição.
A segunda vaga, segundo fontes locais, será disputada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Chicão (MDB), ex-vice-prefeito de Ananindeua e aliado de longa data de Helder. Dessa forma, o espaço político para Sabino dentro do MDB é praticamente inexistente. O grupo barbalhista também informou ao ministro que não há brechas nem mesmo para uma eventual candidatura à reeleição como deputado federal, já que o partido deve priorizar a campanha do ministro das Cidades, Jader Filho.
Com o patriarca Jader Barbalho prestes a completar 82 anos e fora da disputa, o MDB investirá seus esforços para projetar o herdeiro político, que ainda não concorreu a cargos eletivos. Assim, Sabino terá de buscar alternativas fora da base barbalhista.
Uma delas seria o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin. O ministro avalia que a sigla poderia oferecer estrutura e tempo de TV para sua candidatura, além de garantir o apoio do presidente Lula. A hipótese, porém, depende da anuência do presidente nacional do partido, João Campos, prefeito do Recife. O obstáculo é que Campos mantém relação próxima com o grupo dos Barbalho — foi um dos articuladores da eleição de Igor Normando (MDB) à prefeitura de Belém e o define publicamente como “amigo”. Normando, por sua vez, é primo de Helder Barbalho e tem como vice o deputado Cássio Andrade, presidente estadual do PSB.
Apesar disso, Sabino aposta em fissuras dentro da estrutura política do Pará. Seu argumento é que o atual prefeito de Ananindeua, Doutor Daniel Santos (PSB), tornou-se o principal opositor de Helder Barbalho após romper com o MDB. Em 2024, Daniel derrotou com folga o candidato apoiado pelo governador e, em Belém, apoiou o bolsonarista Éder Mauro (PL) no segundo turno, que acabou derrotado.
O ministro acredita que, se João Campos decidir bancar o projeto oposicionista de Daniel no Pará, poderia abrir caminho para sua própria filiação ao PSB, criando uma aliança alternativa ao domínio dos Barbalho no estado. No entanto, o cálculo político é arriscado, já que Campos também negocia o apoio do MDB à sua candidatura ao governo de Pernambuco.
Com o prazo de desfiliação partidária se aproximando — a janela para trocas sem punição por infidelidade será aberta em cerca de seis meses —, Celso Sabino corre contra o tempo para encontrar uma legenda competitiva. Quanto mais adiar a decisão, menor será o espaço disponível nas articulações regionais, especialmente porque as vagas para o Senado são limitadas e disputadas. Até lá, o ministro deve continuar sondando alternativas partidárias que lhe permitam manter influência política e viabilidade eleitoral em 2026.
Fotos: Alessandra Serrão/MTur

