O Zoológico de Belo Horizonte, administrado pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB), ganhou dois novos moradores em seu plantel: um casal de leões-brancos (Panthera leo krugeri), espécie rara e símbolo da conservação da fauna africana. Os felinos, um macho e uma fêmea, vieram do Parque Beto Carrero World e agora integram o programa de preservação internacional da espécie. Por serem animais nascidos e criados sob cuidados humanos, sem possibilidade de retorno ao ambiente natural, permanecerão no Zoo de BH, podendo futuramente participar de projetos de reprodução e reintrodução em habitat natural.
Os leões chegaram à instituição na tarde de quarta-feira (15) e foram encaminhados ao recinto definitivo, na área de visitação pública. Segundo a equipe técnica, o período inicial será de observação intensiva, voltada à adaptação, monitoramento de saúde, comportamento e hábitos alimentares. “Nos primeiros dias, os animais permanecem em uma área restrita do recinto, onde recebem os cuidados diários, mas poderão ser observados pelos visitantes a partir deste sábado (18)”, informou o zoológico.
Valéria Pereira, chefe da seção de mamíferos do Zoo de BH, reforçou que a adaptação é um processo sensível. “Vamos acompanhar a reação deles ao novo ambiente e pedimos que os visitantes adotem boas práticas: façam silêncio, evitem tentativas de chamar atenção e observem os animais de forma respeitosa, especialmente nas primeiras semanas, quando o estresse pode ser maior”, explicou.
Os leões-brancos estiveram tecnicamente extintos na natureza entre 1992 e 2004, até que o Global White Lion Protection Trust conseguiu a primeira reintrodução bem-sucedida no habitat original, na África do Sul. “Esse caso mostra a importância dos zoológicos como o de Belo Horizonte, que priorizam o bem-estar e a preservação das espécies”, afirmou Sandra Cunha, gerente interina do Zoo e diretora de Zoobotânica.
O Zoológico de Belo Horizonte participa de programas nacionais e internacionais de conservação, atuando na reprodução planejada de espécies ameaçadas de extinção com base em critérios de variabilidade genética. “Esse manejo aumenta as chances de futuras reintroduções na natureza”, destacou Sandra. Nos últimos anos, o Zoo devolveu à natureza seis papagaios-verdadeiros (em 2022) e sete papagaios-do-peito-roxo (em 2021), uma espécie considerada ameaçada.
Os leões-brancos não constituem uma espécie diferente, mas uma variação genética rara, causada por leucismo — mutação recessiva que reduz a produção de melanina, resultando na coloração clara da pelagem. “Apesar da aparência incomum, esses leões não são albinos, pois mantêm a pigmentação nos olhos e não apresentam deficiências de visão ou outros problemas de saúde”, explicou a equipe técnica.
O casal recém-chegado já tem nome: o macho Mafu, nascido em 15 de maio de 2011, e a fêmea Pretória, nascida em 1º de março do mesmo ano. Ambos são adultos e chegaram em perfeitas condições físicas, conforme avaliação inicial dos veterinários do parque.
O Zoológico de BH tem longa experiência no manejo da espécie Panthera leo, com equipe formada por biólogos, veterinários, zootecnistas e tratadores especializados no cuidado de grandes felinos exóticos e brasileiros. “Ser escolhidos pelo Parque Beto Carrero e pelos órgãos fiscalizadores para acolher esse casal é um reconhecimento da nossa expertise em bem-estar animal e manejo de grandes felinos”, afirmou Sandra Cunha.
Segundo ela, a chegada dos novos animais reforça o compromisso da instituição com a conservação da biodiversidade. “Com Mafu e Pretória, o Zoo de BH amplia sua contribuição à educação ambiental e à conscientização sobre a importância da preservação das espécies ameaçadas, um dos pilares centrais da nossa atuação”, concluiu.
Foto: Lilian Karnopp

