Os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizaram um desentendimento na quarta-feira durante o intervalo da sessão de julgamentos, na chamada sala de lanches, ao lado do plenário da Corte. Segundo relatos de pessoas que presenciaram a cena, o clima foi tenso e houve troca de ofensas.
De acordo com testemunhas, Gilmar, decano do STF, chamou Fux de “figura lamentável” e afirmou que o colega “precisa de terapia para superar traumas”. A discussão teria começado quando Gilmar criticou o voto de Fux no julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado. Fux, irritado, respondeu que o colega não poderia opinar sobre o caso por não fazer parte da Primeira Turma, responsável pelo processo, e o acusou de violar a Lei Orgânica da Magistratura (Loman).
A troca de palavras elevou o tom na sala, levando três ministros que estavam presentes a se retirar discretamente do ambiente. Fux divergiu da maioria da Corte e votou pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que gerou insatisfação entre colegas. Gilmar, que não integra a Primeira Turma, tem se manifestado publicamente contra qualquer tipo de anistia ou relativização dos atos golpistas de 2022.
A tensão entre os dois magistrados não é recente. Em setembro, Gilmar já havia feito críticas contundentes ao voto de Fux, chamando-o de “prenhe de incoerências” por absolver Bolsonaro e, ao mesmo tempo, condenar seus ex-auxiliares Mauro Cid e Braga Netto. “Se não houve golpe, não deveria haver condenação. Condenar os executores e absolver o mandante é uma contradição nos próprios termos”, afirmou Gilmar na ocasião.
O histórico de atritos entre ambos inclui ainda discussões em plenário, como a ocorrida em 2023, durante o debate sobre o juiz de garantias. Naquela oportunidade, Gilmar acusou Fux de impedir a implementação da medida por razões políticas, enquanto Fux alegava falta de estudos técnicos e orçamentários para viabilizar o projeto.
O episódio mais recente reforça o clima de tensão entre integrantes do STF em meio a julgamentos que têm repercussões políticas e institucionais no país.
Foto: Rosinei Coutinho/STF

