O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que nenhum chefe de Estado estrangeiro tem legitimidade para determinar os rumos políticos de outros países, em referência às recentes ações e declarações do governo dos Estados Unidos sobre a Venezuela e Cuba. Sem citar o presidente norte-americano Donald Trump, Lula defendeu que cabe exclusivamente aos povos latino-americanos decidir seus destinos, sem tutela externa ou ameaça de intervenção. Durante um evento do PCdoB, em Brasília, o presidente declarou que o Brasil tem posição clara quanto à soberania dos países vizinhos e reiterou que a política externa brasileira não se submeterá à lógica de pressão ou alinhamento automático. Segundo ele, “o povo venezuelano é dono do seu destino”, assim como os cubanos devem conduzir sua história sem interferências. A fala ocorre após Washington intensificar operações militares no Caribe e confirmar que a CIA foi autorizada a conduzir ações secretas para enfraquecer o governo de Nicolás Maduro, algo considerado por especialistas como violação do direito internacional e da Carta da ONU. Lula também criticou a permanência de Cuba na lista norte-americana de países patrocinadores do terrorismo e classificou a medida como injustificada.

Historicamente, os Estados Unidos mantêm um embargo econômico contra Havana desde a década de 1960, com restrições severas ao comércio e às transações financeiras. Com a volta de Trump ao poder, o cerco diplomático e econômico foi ampliado, dificultando o acesso da ilha a mercados internacionais e pressionando países que mantêm cooperação médica com o governo cubano. O Brasil se soma agora a uma corrente de países latino-americanos que defendem a retirada de Cuba dessa lista e a abertura de canais mais equilibrados de diálogo no continente.

Em relação à Venezuela, Lula apontou que as tensões recentes se inserem em um contexto de disputa geopolítica, marcado pela questão energética e pelo fato de o país possuir as maiores reservas provadas de petróleo do mundo. Relatórios internacionais indicam que as forças armadas dos Estados Unidos têm intensificado a presença na região desde agosto, sob a justificativa de combater o tráfico de drogas, ainda que a Venezuela não figure entre os principais países produtores. Para pesquisadores da área de relações internacionais, a ofensiva norte-americana representa tentativa explícita de “mudança de regime”, algo que remete a padrões adotados durante a Guerra Fria. O governo Maduro anunciou que pretende denunciar o caso no Conselho de Segurança da ONU, reforçando o embate diplomático. Lula, por sua vez, disse que o Brasil continuará defendendo a via da negociação e do respeito à soberania como condição essencial para a estabilidade regional.

Foto: Murilo Nascimento/PC do B


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