O ministro Luiz Fux se retirou da sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que está julgando o chamado “núcleo da desinformação” — a quarta etapa da trama golpista em análise na Corte. Fux alegou ter compromissos previamente agendados, coincidindo com o momento em que o ministro Cristiano Zanin iniciava seu voto. Contudo, ele assegurou que continuará acompanhando o voto à distância. “A justificativa para a saída foi a incompatibilidade de horários, mas com a promessa de manter-se a par do andamento”.

A sessão teve início às 9h22, começando pelo voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, que se estendeu até o meio-dia. O presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, anunciou que a sessão daria continuidade com o voto de Zanin, mas que Fux precisaria se ausentar temporariamente.

Fux esclareceu que seus compromissos foram marcados com base no horário previamente estabelecido para o julgamento, mas tranquilizou os presentes ao afirmar que suas agendas são dentro do próprio STF e que ele conseguirá acompanhar o restante da sessão. Ele explicou: “Levei em consideração o calendário e o horário que Vossa Excelência marcou. Mas, de toda sorte, meu compromisso é dentro do tribunal. Nós sabemos que dentro do tribunal nós ouvimos os votos. De sorte que quero pedir vênia, mas não é nenhuma desconsideração não estar presente, vou ouvir o voto e, ao mesmo tempo, cumprir os compromissos dentro do tribunal”. “O ministro fez questão de justificar a ausência para evitar qualquer má interpretação”.

Flávio Dino, então, comunicou que após o término do voto de Zanin, haverá um intervalo, e a sessão será retomada às 14h com o voto de Luiz Fux.

Em um julgamento anterior do “núcleo crucial” da trama golpista, realizado em setembro, Fux apresentou um voto com divergências significativas. Naquela ocasião, ele votou pela condenação de apenas dois dos oito réus — o ex-ministro Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid —, e somente pelo crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Na mesma votação, o ministro absolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os demais réus de todas as acusações.

Foto: Rosinei Coutinho/STF


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