A cúpula das Forças Armadas do Brasil recebeu com preocupação a mais recente manifestação de Donald Trump sobre a possibilidade de realizar ações terrestres como próximo passo das atividades de combate aos cartéis de drogas. Embora o presidente dos Estados Unidos não tenha mencionado diretamente a Venezuela, sua declaração acendeu um alerta entre os militares brasileiros, dada a proximidade do país vizinho com o foco da crise.

Apesar de a declaração ter gerado atenção imediata, não está no radar qualquer mudança de procedimento das Forças Armadas, seja em operações de inteligência ou no monitoramento das fronteiras com a Venezuela. “A vigilância na fronteira é constante e não será alterada por um discurso”.

Membros da cúpula militar relataram que qualquer situação de crise potencial gera maior atenção na região, mas pontuaram que já existem ações constantes na fronteira com a Venezuela que seguem ativas. Além dos Pelotões Especiais de Fronteira (PEF) — unidades militares responsáveis por atuar na divisa, especialmente em Roraima — segue em andamento a Operação Catrimani, ação conjunta das Forças Armadas e de órgãos de segurança pública para combater o garimpo ilegal e crimes ambientais na terra indígena Yanomami.

Em entrevista coletiva na Casa Branca, na quinta-feira (23), Trump afirmou que o volume de drogas que chega por mar aos Estados Unidos representa hoje cerca de 5% do que era há um ano. Ele alertou que o próximo movimento dos grupos criminosos será tentar transportar essas drogas por vias terrestres. Ataques no Caribe e no Pacífico, supostamente ligados a essas ações, já provocaram pelo menos 37 mortes.

O anúncio de Trump foi feito um dia após os EUA bombardearem uma embarcação no Oceano Pacífico que, segundo o governo americano, transportava drogas. Este foi o nono ataque do tipo ocorrido na América do Sul sob o pretexto de combate ao narcotráfico.

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Foto: Jim Watson


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