Cinquenta anos após a morte do jornalista Vladimir Herzog, seu assassinato nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do 2.º Exército foi lembrado com um solene ato inter-religioso “contra a violência e pela paz” na Catedral da Sé, em São Paulo. O evento, realizado na noite deste sábado (25), reuniu lideranças religiosas, familiares e movimentos sociais em homenagem a Herzog e a todas as vítimas da ditadura militar.
Pela primeira vez, um presidente da República em exercício – o vice-presidente Geraldo Alckmin – esteve presente na celebração. Também participou a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha.
A ministra fez um pedido de perdão considerado histórico e carregado de simbolismo: “Perdão a todos que tombaram e sofreram lutando pela liberdade no Brasil. Perdão pelos erros e omissões judiciais cometidos durante a ditadura”. Em seguida, citou nomes diretamente: “Eu peço perdão a Vladimir Herzog e sua família, a Paulo Ribeiro Bastos e sua família, a Rubens Paiva e a Miriam Leitão e a seus filhos, a José Dirceu, a Aldo Arantes e José Genoino, a Paulo Vannuchi, a João Vicente Goulart e a tantos outros homens e mulheres que sofreram com as torturas, as mortes, os desaparecimentos forçados e o exílio”.
O pedido foi interrompido por aplausos e gritos de “sem anistia”, em clara referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro e às pressões recentes por blindagens a crimes cometidos durante o regime ou em ataques à democracia. A ministra concluiu: “Eu peço, enfim, perdão à sociedade brasileira e à história do País pelos equívocos judiciários cometidos pela Justiça Militar federal em detrimento da democracia e favoráveis ao regime autoritário”. Para os presentes, “o pedido de perdão do STM é um marco na busca por reparação histórica”.
Ao final da cerimônia, Geraldo Alckmin destacou a força da memória e da verdade: “Nem a mais covarde das mentiras, forjada pela mais vil das tiranias, foi capaz de apagar a verdade truculenta que se abatera sobre o País”. E encerrou: “Assim como na defesa da verdade, não houve lugar para a farsa do suicídio, da mesma forma, por amor à liberdade, jamais haverá lugar para o nosso esquecimento”.
Foto: Cadu Gomes/VPR

