Dez estados brasileiros e o Distrito Federal alcançaram, no terceiro trimestre deste ano, a menor taxa de desemprego desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os recordes de baixa desocupação foram registrados na Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins.

Essas mesmas unidades da federação repetem o desempenho do país como um todo, que encerrou o terceiro trimestre com a menor taxa já registrada pela série — 5,6% — conforme divulgado pelo IBGE no fim de outubro. Embora não figure entre os estados que atingiram o menor nível histórico, Santa Catarina divide com Mato Grosso a posição de menor desocupação do país: 2,3%. O índice representa leve alta em relação ao segundo trimestre, quando era de 2,2%, mas o IBGE classifica a variação como “estabilidade”.

A Pnad considera ocupadas todas as pessoas com 14 anos ou mais inseridas em alguma forma de trabalho — com ou sem carteira assinada, temporários ou trabalhadores por conta própria. Só é classificada como desocupada a pessoa que procurou emprego nos 30 dias anteriores à entrevista. A pesquisa visita 211 mil domicílios em todo o país.

Os menores níveis de desemprego possuem forte relação com características estruturais de cada região. Segundo o analista do IBGE, William Kratochwill, os estados com índices mais baixos apresentam, historicamente, ambientes econômicos mais dinâmicos. “A estrutura econômica dessas regiões é a principal explicação para terem números tão baixos, porque cada um tem uma característica diferente”, afirmou. Ele destacou que Santa Catarina tem o maior percentual de trabalhadores na indústria entre todas as unidades da federação.

Já os estados do Nordeste continuam registrando taxas mais elevadas de desocupação. Para Kratochwill, o motivo está relacionado a fatores estruturais antigos. “A região é sabidamente menos desenvolvida economicamente, além de ter baixa escolarização. Isso talvez seja um empecilho para que se desenvolva mais economicamente, uma vez que falta mão de obra qualificada para a economia crescer”, explicou.

A pesquisa também apontou diferenças significativas na taxa de trabalhadores com carteira assinada no setor privado. Oito estados têm percentuais superiores à média nacional de 74,4%: Santa Catarina (88%), São Paulo (82,8%), Rio Grande do Sul (82%), Mato Grosso do Sul (80,8%), Paraná (80,7%), Mato Grosso (78,9%), Rio de Janeiro (76,7%) e Distrito Federal (76,3%).

Já sete estados não chegam a 60% de trabalhadores formais: Maranhão (51,9%), Piauí (52,4%), Paraíba (55,3%), Pará (56,8%), Acre (58,1%), Ceará (58,9%) e Bahia (59,3%).

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


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