Minas Gerais consolidou-se como um dos principais polos de energia solar do país, acumulando crescimento acelerado, atração de investimentos e geração de empregos verdes. Desde 2019, o estado recebeu R$ 83 bilhões em investimentos privados no setor, resultado que impulsionou a criação de quase 7 mil empregos diretos distribuídos por 37 municípios. Esse avanço ocorre em um contexto no qual Minas atinge 13,3 gigawatts (GW) de potência fiscalizada, marca que reforça seu papel de destaque na transição energética brasileira. O novo recorde é impulsionado pelo projeto Sol de Minas, coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG).
Segundo dados recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Minas Gerais é líder nacional em geração centralizada, com 7,86 GW, e ocupa a segunda posição em geração distribuída, com 5,45 GW, ficando atrás apenas de São Paulo. Para efeito de comparação, os 13,3 GW de capacidade somados equivalem a quase toda a potência instalada na usina hidrelétrica de Itaipu, que tem 14 GW e é a maior da América Latina.
A secretária de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, comemorou o avanço e destacou iniciativas estruturantes. “A cada ano chegamos em novos patamares com a energia solar e estes resultados reforçam nosso potencial na transição energética. Neste ano, lançamos os guias de energia solar e de eficiência energética, que são ações fundamentais para garantirmos um futuro ainda mais sustentável em Minas”, afirmou.
O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) também tem desempenhado papel relevante nesse cenário. Em 2024, foi firmada parceria com o Banco Europeu de Investimentos (Bei) para disponibilizar R$ 170 milhões em crédito destinado a projetos de energia solar. Um exemplo desse movimento é a Usina Fotovoltaica Vale do Aço I, em Engenheiro Caldas, inaugurada em julho. Considerada a maior da região, a usina recebeu R$ 12 milhões em financiamento do BDMG e opera em uma área de 4 hectares. O empreendimento gerou empregos e renda local durante a implantação. “É de fato uma fazenda solar, como muitos dizem. E além de gerar dividendos, gera empregos e gera renda para todo o entorno”, destacou Fábio Araújo Soares Ferreira, CEO da Multiluz Solar.
A relevância de Minas no setor energético também beneficia empresas atuantes no mercado livre de energia, como a Power Trade, que mantém unidades no estado. Para a diretora de Regulação e Gestão em Energia da empresa, Maura Galuppo, o ambiente favorável oferece segurança e novas oportunidades. “Quanto maior a importância de Minas no cenário energético do país, melhores oportunidades de negócio teremos”, afirmou.
Com a marca de 13,3 GW de capacidade instalada, Minas Gerais supera a capacidade elétrica de mais de 160 países, como Bulgária (13,06 GW), Singapura (13,02 GW) e Irlanda (12,07 GW). Além da potência instalada, os benefícios ambientais são significativos: a produção tem potencial para evitar a emissão anual de até 18,3 mil toneladas de CO₂, o equivalente à retirada de mais de 9,44 milhões de automóveis das ruas. Caso toda a frota leve mineira fosse elétrica, a energia produzida seria suficiente para abastecer oito em cada dez veículos.
O avanço no setor reforça o alinhamento de Minas com metas internacionais de sustentabilidade e compromissos do Plano Estadual de Ação Climática (PLAC-MG) e da iniciativa global “Race to Zero”. Nesse contexto, destaca-se também o programa Rota da Descarbonização, conduzido pela Invest Minas, voltado à atração de investimentos privados de baixo carbono. Em outubro, a iniciativa recebeu o Prêmio de Excelência em Investimentos da WAIPA, reconhecimento internacional pela promoção de uma economia mais sustentável no estado.
Foto: Multiluz / Divulgação

