O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira que a instituição não pode mirar a banda superior da meta de inflação, de 4,5%, mas deve perseguir o centro do objetivo estabelecido, de 3%. Segundo ele, a existência de uma banda tem função apenas de absorver oscilações, não de redefinir o alvo oficial. “A meta não é a banda superior. A banda foi feita para que, dado que a inflação oferece flutuações, criou-se um ‘buffer’ para amortecer eventuais flutuações. Mas de maneira nenhuma a meta é de 4,5%”, explicou durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. “Tenho que perseguir uma meta de inflação de 3%”, reforçou.
Galípolo também demonstrou preocupação com as projeções do boletim Focus, que apontam que o Banco Central não deve cumprir o centro da meta em nenhum ano de seu mandato. Ele permanecerá na presidência do BC até 31 de janeiro de 2028. Pelas estimativas do mercado, a inflação deve encerrar 2026 em 4,18%, cair para 3,80% em 2027 e fechar 2028 em 3,50% — todas acima do centro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional.
“As projeções do Focus mostram que o BC não vai cumprir a meta durante todo o meu mandato. Eu vou passar meu mandato inteiro sem cumprir a meta de inflação”, reconheceu Galípolo, destacando que o desafio reforça a necessidade de manter uma política monetária rigorosa.
Foto Lula Marques/Agência Brasil

