Dirigentes e lideranças de partidos do centrão mantêm a preferência pelo nome do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como candidato à Presidência da República em 2026, mesmo após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar, na sexta-feira (5), que foi escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), como seu sucessor político para a disputa ao Palácio do Planalto. Para integrantes desse bloco, Tarcísio teria maior competitividade eleitoral e mais chances de vitória contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de melhor capacidade de unificar o campo da direita.
A avaliação de dirigentes ouvidos pela reportagem é que uma candidatura de Tarcísio poderia juntar siglas como PL, PP, Republicanos, União Brasil e PSD em torno de um único nome, enquanto Flávio não teria condições de promover articulação semelhante. Caso o senador concorra, a percepção é de que o cenário na direita se fragmentaria, abrindo espaço para várias candidaturas, incluindo as dos governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Júnior (PSD-PR).
De forma reservada, um dirigente do centrão afirmou que dificilmente Flávio obterá apoio integral do bloco e acrescentou que as pesquisas mostram vantagem de Tarcísio em relação a um dos integrantes da família Bolsonaro, cuja taxa de rejeição permanece elevada. Aliados do governador paulista dizem que ele resiste a disputar o Planalto enquanto Lula segue competitivo e enquanto persistem conflitos internos no bolsonarismo, especialmente no clã do ex-presidente. Ele só aceitaria concorrer, afirmam, se houvesse unidade.
Parte do centrão reagiu com ceticismo ao anúncio de Flávio, interpretando-o como estratégia para manter relevância política e fortalecer a militância bolsonarista em um momento em que Bolsonaro cumpre pena em regime fechado por tentativa de golpe de Estado e está inelegível desde 2023. Nesse cenário, a avaliação de aliados é que Flávio não manteria sua candidatura até o fim. Seu mandato no Senado termina em 2026, o que também pesaria na decisão.
Além disso, o anúncio antecipado o tornaria alvo de ataques de adversários. Flávio já enfrentou desgaste público no passado, como no caso das “rachadinhas”, cujas provas foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, quando o processo envolvia ainda Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema no gabinete do então deputado estadual. No Congresso, parlamentares de direita afirmam que, com a prisão de Bolsonaro, Flávio passou a ser alvo direto do ministro Alexandre de Moraes, que mencionou a vigília convocada pelo “filho 01” na ordem de prisão do ex-presidente.
Sem citar diretamente Flávio ou Tarcísio, o presidente da federação União Brasil-PP, Antônio Rueda, criticou a polarização e advertiu que a escolha de um membro da família Bolsonaro poderia aprofundar divisões internas. Segundo ele, “os últimos acontecimentos apenas reforçam o que sempre defendemos: em 2026, não será a polarização que construirá o futuro, mas a capacidade de unir forças em torno de um projeto sério, responsável e voltado para os reais interesses do povo brasileiro”.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que respeita a decisão de Bolsonaro, mas reiterou que sua pré-candidatura está mantida. Ele declarou: “Ele tem o direito de buscar viabilizar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Da minha parte, sigo pré-candidato a presidente e estou convicto de que no próximo ano vamos tirar o PT do poder e devolver o Brasil aos brasileiros”.
Romeu Zema, governador de Minas Gerais, também comentou o anúncio e destacou que vê sentido na pré-candidatura de Flávio. Para ele, “quando anunciei minha pré-candidatura ao presidente Bolsonaro ele foi claro: múltiplas candidaturas no primeiro turno ajudam a somar forças no segundo. Então, faz todo sentido o Flávio apresentar seu nome à Presidência. É justo e democrático”.
A comemoração mais entusiasmada veio do núcleo mais fiel ao bolsonarismo. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), amiga próxima do ex-presidente e de Michelle Bolsonaro, afirmou: “Eu seguirei a decisão tomada pelo presidente Bolsonaro, seja ela qual for. Eu, em especial, gosto muito do Flávio. É meu amigo querido”.
Na mesma linha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), secretário-geral do partido, declarou que a candidatura de Flávio foi “orientada” por Bolsonaro e afirmou: “Estaremos juntos na construção de um projeto que represente os valores do povo brasileiro que ama nossa bandeira, sintetizados no respeito à família, na liberdade religiosa, no livre mercado e na liberdade de expressão. Flávio, conte comigo”.
Foto: Paulo Guereta / Governo do Estado de SP

