Oferecer capacitação profissional aliada a mentoria especializada, orientação de mercado e acolhimento socioemocional é a estratégia adotada pelo Instituto da Providência para apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade social na zona oeste do Rio de Janeiro. Por meio do projeto Mulher Potência Empreendedora, a instituição promove cursos de formação profissional nas áreas de gastronomia, moda e beleza, com foco na autonomia financeira e no fortalecimento do protagonismo feminino.
A iniciativa atende mulheres que vivem em contextos marcados pela pobreza extrema, pela informalidade e por múltiplas formas de exclusão social. Mais do que ensinar um ofício, o projeto busca criar condições para que as participantes reconstruam trajetórias de vida, ampliem a autoestima e conquistem independência econômica de forma sustentável, respeitando suas realidades familiares e territoriais.
Uma das histórias que ilustram esse impacto é a de Bruna Mariano, que chegou ao instituto sem renda própria e morando de favor na casa da irmã. Indicada por uma assistente social, ela se inscreveu no projeto sem ter clareza sobre a área em que desejava atuar. A formação e o acompanhamento oferecidos abriram novos caminhos. Atualmente, Bruna é proprietária de um salão de tranças, atua como instrutora na área e conseguiu comprar a própria casa.
“Hoje posso dizer que a menina que chegou ao instituto foi acolhida e, com a força e tudo que eles me ensinaram, viveu a virada de chave da vida. Tudo que conquistei foi através do instituto e das pessoas que fazem esse projeto maravilhoso se tornar real, nos mostrando que podemos sair do nada, ser alguém e conquistar nosso espaço no mundo”, relata.
Outra beneficiária é Cristina Gomes, que encontrou na capacitação em moda uma alternativa para superar uma situação financeira delicada. Com o marido desempregado e dois filhos, a família dependia exclusivamente de programas assistenciais, como o Bolsa Família. A partir do curso, Cristina criou sua própria marca de bolsas e acessórios sustentáveis, transformando o aprendizado em fonte de renda.
“Enfrento alguns desafios por ser mulher e mãe, nunca deixei de empreender. Toda minha renda familiar vem do que faço, jamais terei como pagar o Instituto da Providência pela mão amiga”, afirma.
O público-alvo do Mulher Potência Empreendedora é composto por mulheres entre 18 e 60 anos, residentes em áreas de vulnerabilidade social e com renda familiar per capita abaixo da linha da pobreza extrema. Desde 2022, mais de 1,7 mil mulheres foram impactadas pela iniciativa, que oferece, além da formação, um capital semente de R$ 1,5 mil para impulsionar os empreendimentos.
Dados consolidados pelo instituto mostram que 80% das participantes são chefes de família, 76% têm mais de 30 anos, 79% se identificam como negras ou pardas e 54% não concluíram o ensino médio. Até o momento, o projeto já contribuiu para a criação de 684 novos negócios e para a concessão de 364 apoios financeiros destinados a capital de giro.
“O projeto Mulher Potência Empreendedora nasce de um conhecimento de muitos anos de trabalho com esse público. No momento em que a gente entende o papel da mulher na sociedade, enquanto chefe de família e responsável pelo sustento, passa a construir soluções mais efetivas”, explica a diretora executiva do Instituto da Providência, Maria Garibaldi.
Segundo ela, o estigma social ainda é um obstáculo significativo para a inserção dessas mulheres no mercado de trabalho formal. Por isso, o projeto atua em todas as etapas do processo, oferecendo não apenas capacitação técnica, mas também suporte social e emocional. “A vulnerabilidade não é só financeira. Ela envolve segurança no território, segurança dentro de casa. Lidamos com mulheres que sofrem violência doméstica e não geram renda. A autonomia financeira empodera a mulher”, conclui.
Foto: Ray Evllyn/Divulgação

