Alvo de uma operação da Polícia Federal, o deputado federal Carlos Jordy afirmou que a ação tem como objetivo “intimidar” parlamentares da oposição. Segundo ele, a estrutura do Estado estaria sendo usada de forma indevida para constranger adversários políticos. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar por meio de contratos de aluguel de veículos firmados pelos gabinetes de Jordy e do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante.
De acordo com a Polícia Federal, os contratos teriam sido utilizados para desviar e ocultar verba pública, com participação de agentes políticos, servidores comissionados e particulares. A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, todos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. Em um endereço ligado a Sóstenes, em Brasília, os agentes encontraram quatrocentos e trinta mil reais em dinheiro vivo. A ação foi batizada de “Galho Fraco”.
Em nota e em declarações públicas, Jordy negou irregularidades e afirmou que sempre atuou dentro da legalidade. “Não cabe ao parlamentar fiscalizar a frota ou a estrutura interna da empresa contratada, mas sim contratar o serviço mais eficiente e pelo menor custo. É inadmissível, em uma democracia, que a Polícia Federal seja usada para intimidar parlamentares da oposição”, afirmou. Ele acrescentou que buscas contra deputados exigem indícios concretos de crimes graves e atuação imparcial das autoridades.
A investigação aponta que o dinheiro desviado teria sido repassado a empresas de fachada e, posteriormente, submetido a processos de lavagem. Os crimes apurados incluem peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo investigadores, assessores ligados aos gabinetes investigados movimentaram valores milionários ao longo do esquema.
Nas redes sociais, Jordy afirmou ser vítima de “perseguição implacável” e classificou a apuração como “pesca probatória”. Até o momento, Sóstenes Cavalcante não se manifestou publicamente sobre o cumprimento dos mandados ou sobre a apreensão de valores em endereço a ele relacionado.
Um ano antes da atual ofensiva, a Polícia Federal já havia cumprido mandados contra assessores dos dois parlamentares na operação “Rent a Car”. À época, os investigadores apontaram a existência de contratos simulados de locação de veículos, firmados com o objetivo de desviar recursos da cota parlamentar por meio de um acordo ilícito entre agentes públicos e empresários.
Levantamento publicado em dezembro mostrou que os gastos de Sóstenes com aluguel de carros em dois mil e vinte e quatro quase dobraram a média registrada por outros deputados. As despesas chegaram a cento e trinta e sete mil e novecentos reais, enquanto a média geral foi de cerca de setenta e seis mil e oitocentos reais. Já Carlos Jordy declarou gastos de sessenta e cinco mil e quatrocentos reais, valor abaixo da média da Câmara e de seu partido.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

