Às vésperas do ano decisivo da disputa presidencial, o Partido dos Trabalhadores divulgou um manual com orientações voltadas à atuação digital da militância em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento reúne diretrizes de comunicação e recomendações jurídicas, com foco especial no ambiente eleitoral, incentivando o uso estratégico de memes, cortes de vídeos e outros formatos digitais como ferramentas de mobilização política.

A cartilha orienta militantes e influenciadores a utilizarem conteúdos considerados “munição política”, mas alerta para riscos legais. Entre as recomendações centrais está a proibição do uso de termos como “genocida”, “fascista” e “corrupto” na descrição de adversários políticos. Segundo o manual, essas expressões podem gerar ações judiciais por calúnia ou difamação, o que poderia comprometer a atuação digital organizada do partido.

O texto apresenta uma série de orientações práticas sobre “o que pode e o que não pode” ser publicado nas redes sociais. As diretrizes defendem que os ataques políticos sejam baseados em fatos públicos e não na vida privada de adversários. Também sugerem a “transformação de imputações em opinião política”, o uso de “memes satíricos, mas com base em fatos verificáveis”, além do embasamento em conteúdos jornalísticos para sustentar críticas e posicionamentos.

Outro ponto destacado no documento é a necessidade de diferenciar a militância petista da corrente ideológica adversária. A cartilha afirma que, “enquanto o bolsonarismo manipula imagens para fake news, a militância do Lula deve mostrar a verdade dos atos públicos”. Nesse sentido, o manual orienta que o engajamento digital priorize a divulgação de informações verificáveis e declarações públicas.

O texto também sugere a substituição de termos ofensivos por descrições mais elaboradas, como referências a práticas autoritárias que “se aproximam ou remetem ao fascismo histórico”, críticas a políticas públicas adotadas durante a pandemia e menções a investigações e escândalos de corrupção. O uso de vídeos e imagens públicas do ex-presidente Jair Bolsonaro é incentivado para “desmascarar contradições”, desde que não haja manipulação ou produção de conteúdos falsos.

A cartilha ainda orienta sobre procedimentos em caso de erros, ameaças virtuais ou recebimento de ações judiciais, indicando caminhos para correção de conteúdos e busca de orientação jurídica. O material começou a circular em grupos de WhatsApp que reúnem influenciadores ligados ao partido, organizados em redes como “Pode Espalhar” e “Clube de Influência Eu Tô Com Lula”.

Essas redes já foram acionadas em embates recentes com o Congresso, como na derrubada do aumento do IOF e na tramitação da PEC da Blindagem. As mobilizações levaram aos assuntos mais comentados do X hashtags críticas ao Legislativo e conteúdos direcionados a figuras como Hugo Motta e Davi Alcolumbre, além de campanhas coordenadas em episódios como a prisão de Bolsonaro e a aprovação de projetos de interesse do governo.

Foto: Divulgação


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