O ano de 2025 foi marcado por forte impacto das medidas protecionistas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump sobre o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 6,6% no período, totalizando US$ 37,716 bilhões, abaixo dos US$ 40,368 bilhões registrados em 2024. No sentido contrário, as importações de produtos dos Estados Unidos cresceram 11,3%, alcançando US$ 45,246 bilhões, frente aos US$ 40,652 bilhões do ano anterior.
Com esse movimento, o Brasil encerrou 2025 com déficit de US$ 7,530 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e refletem diretamente os efeitos do chamado tarifaço imposto por Washington sobre produtos brasileiros.
Em novembro, o governo norte-americano anunciou a retirada da tarifa adicional de 40% aplicada a parte da pauta exportadora do Brasil. Apesar disso, segundo cálculos do próprio ministério, 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, equivalentes a US$ 8,9 bilhões, continuam sujeitas às tarifas estabelecidas em julho. Nesse grupo estão mercadorias que pagam apenas a sobretaxa de 40% e outras que acumulam essa taxa com a tarifa-base de 10%.
Além disso, outros 15% das exportações, cerca de US$ 6,2 bilhões, seguem submetidos exclusivamente à tarifa de 10%. Um contingente ainda maior, correspondente a 27% das vendas, aproximadamente US$ 10,9 bilhões, é atingido pelas tarifas da Seção 232, que incidem sobre produtos considerados pelos Estados Unidos como ameaça à segurança nacional. Apenas 36% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano ficaram livres de encargos adicionais.
Mesmo após a retirada parcial das tarifas, os efeitos negativos persistiram ao longo do ano. Em dezembro, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 7,2% na comparação anual, somando US$ 3,449 bilhões, ante US$ 3,717 bilhões no mesmo mês de 2024. Foi a quinta queda consecutiva desde a imposição da sobretaxa de 50% anunciada em julho pelo governo Trump. As importações de produtos norte-americanos, por sua vez, recuaram 1,5% em dezembro.
Em entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a estratégia de diálogo com Washington. “O trabalho de redução continua”, disse, ao destacar que as negociações já permitiram diminuir o número de produtos afetados pelas tarifas.
Alckmin acrescentou que o governo brasileiro busca melhorar as condições para os 22% da pauta exportadora ainda atingidos. “Em relação à questão comercial, o presidente Lula tem um bom relacionamento com o presidente Trump e pode avançar ainda mais. Podemos ter um ganha-ganha, tanto na questão tarifária como não tarifária, em terras raras, datacenters e investimentos”, afirmou. Ele citou ainda a importância da aprovação do regime especial para centros de dados e ressaltou que o Brasil dispõe de energia abundante e renovável.
Enquanto o comércio com os Estados Unidos encolheu, as relações comerciais com outros parceiros avançaram em 2025. As exportações brasileiras para a China cresceram 6%, alcançando US$ 100,021 bilhões, ante US$ 94,372 bilhões em 2024. As importações de produtos chineses subiram 11,5%, para US$ 70,930 bilhões, gerando superávit de US$ 29,091 bilhões para o Brasil.
Já as exportações para a União Europeia aumentaram 3,2%, totalizando US$ 49,810 bilhões. As importações do bloco cresceram 6,4%, para US$ 50,290 bilhões, resultando em déficit de US$ 480 milhões. Em dezembro, mesmo com o adiamento do acordo Mercosul–União Europeia, as vendas brasileiras ao bloco avançaram 39% na comparação anual.
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