A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem dado sinais de reposicionamento político após o lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. Pessoas próximas relatam que Michelle ficou incomodada por ter sido surpreendida com o anúncio feito em dezembro, sem qualquer aviso prévio. Na véspera da divulgação, ela havia visitado o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas, durante cerca de meia hora de conversa, o tema política não foi abordado. Flávio também não procurou a madrasta para informá-la de que havia sido escolhido pelo pai como pré-candidato.

O desconforto ganhou novos contornos nesta semana, quando Michelle publicou em suas redes sociais um vídeo com declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticando a política econômica do governo federal. No trecho compartilhado, Tarcísio afirma: “Quando você tem mais inflação, o juro sobe ou o juro baixa? É isso que está acontecendo, o país está gastando demais”. A publicação foi interpretada por aliados como um teste de popularidade do governador entre o público bolsonarista e também como um recado político.

Correligionários de Michelle avaliam que o gesto indica que ela ainda não estaria totalmente convencida de que Flávio seja o nome mais competitivo do campo bolsonarista para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. A leitura interna é de que Michelle observa outros cenários e busca preservar seu capital político dentro do partido.

No fim do ano passado, a ex-primeira-dama já havia protagonizado um embate público com os enteados em razão de uma articulação do PL para apoiar Ciro Gomes no Governo do Ceará. O episódio gerou desgaste e levou Jair Bolsonaro a pedir que a família se reconciliasse e demonstrasse unidade. Michelle chegou a pedir desculpas a Flávio, que também se retratou. Quando o clima parecia mais ameno, o senador anunciou que havia recebido o aval do pai para disputar a Presidência.

Flávio viajou de Brasília a São Paulo para comunicar pessoalmente a decisão a Tarcísio de Freitas, mas não entrou em contato com a madrasta, nem mesmo por telefone. Em entrevista concedida em 8 de dezembro, o senador reconheceu o impacto da situação. “Acredito que possa ter ficado surpreendida porque eu não sei se o presidente Bolsonaro conversava diretamente com ela sobre isso. Comigo ele conversava. E pode ser que ela tenha ficado surpresa no momento ali, mas com toda certeza ela imaginava que esse era um cenário bem possível”, afirmou.

Aliados relatam que o encontro de Michelle com Bolsonaro em 4 de dezembro, um dia antes do anúncio, foi especialmente sensível porque a filha do casal, Laura, estava presente. Poucos dias depois, a ex-primeira-dama anunciou uma pausa em sua agenda política. Ela desmarcou um encontro nacional do PL Mulher, previsto para 13 de dezembro no Rio de Janeiro, e deixou temporariamente a presidência do núcleo feminino do partido, alegando questões de saúde.

Segundo pessoas próximas, Michelle queria dedicar mais tempo à filha, que havia entrado de férias escolares, e também teria dificuldade em esconder o descontentamento por ter sido politicamente atropelada. Agora, a ex-primeira-dama prepara o retorno gradual às atividades. A retomada das viagens pelo país está marcada para 6 de fevereiro, com um evento em Palmas, no Tocantins.

O senador Eduardo Gomes, presidente do diretório do PL no estado e pré-candidato à reeleição, afirma que a expectativa é alta. “Michelle é uma figura pública amplamente reconhecida em todo o país, que vem cumprindo essa agenda partidária de maneira muito significativa e trazendo para as fileiras do PL lideranças femininas muito importantes para o Brasil”, declarou.

Foto: José Cruz/Agência Brasil


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