A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, aceitou o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná nas eleições de 2026, segundo relatos de aliados próximos à cúpula do Partido dos Trabalhadores. A conversa decisiva ocorreu na quarta-feira da semana passada, durante reunião reservada no Palácio do Planalto. De acordo com interlocutores, a ministra concordou com a proposta ainda no mesmo dia e demonstrou entusiasmo com o novo desafio político.
Inicialmente, Gleisi avaliava deixar o ministério para tentar a reeleição à Câmara dos Deputados, opção considerada mais segura por aliados devido ao maior número de vagas em disputa. A possibilidade de concorrer ao Senado, no entanto, ganhou força diante da estratégia do PT de escalar nomes de maior densidade política para fortalecer a bancada no Legislativo e elevar o nível da disputa estadual no Paraná, um dos estados mais hostis ao partido nos últimos ciclos eleitorais.
Segundo o deputado federal Jilmar Tatto, a decisão integra um movimento mais amplo do partido. Ele afirma que o presidente Lula entende que, para polarizar o cenário eleitoral paranaense, é necessário lançar candidaturas competitivas e reconhecidas nacionalmente. Para aliados, a entrada de Gleisi na corrida ao Senado amplia o potencial de enfrentamento da direita local e cria um palanque mais robusto para o projeto nacional do PT.
A avaliação interna é que uma eventual chapa formada pelo deputado estadual Requião Filho, do PDT, como candidato ao governo, e por Gleisi Hoffmann ao Senado teria condições reais de disputar o protagonismo no estado. Além disso, petistas consideram que a composição pode obrigar o atual governador, Ratinho Júnior, a concentrar esforços na sucessão estadual, reduzindo sua disponibilidade para atuar como possível adversário de Lula no plano nacional.
O apoio formal do PT à pré-candidatura de Requião Filho ao governo do Paraná foi anunciado no mês passado. A aliança tem como objetivo central a construção de um bloco de centro-esquerda capaz de enfrentar o senador Sergio Moro, que lidera pesquisas de intenção de voto, além de neutralizar a influência política do grupo ligado a Ratinho Júnior, que deve indicar um sucessor para disputar o Palácio Iguaçu.
A articulação também envolve o presidente da Itaipu Binacional, Enio Verri, aliado histórico de Gleisi. Internamente, Verri chegou a ser cogitado como possível candidato tanto ao governo quanto ao Senado, mas a tendência atual é que dispute uma vaga na Câmara dos Deputados, reforçando a bancada petista no Congresso.
O acordo político marca ainda a reaproximação entre o PT e a família Requião. No início do ano, Requião Filho deixou o partido seguindo o caminho do pai, o ex-governador Roberto Requião, após obter autorização do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná para trocar de legenda fora da janela partidária sem perder o mandato. A saída ocorreu em meio a divergências com a direção nacional do PT. Ao ingressar no PDT, Requião assumiu o comando estadual da sigla e passou a ser tratado como opção viável ao governo.
O ambiente de tensão entre PT e PDT se agravou em setembro, quando Requião Filho ficou de fora de uma pesquisa da Genial/Quaest que testou apenas o nome de Enio Verri. O partido enviou ofício ao instituto questionando a exclusão e apontando distorções no retrato eleitoral. Apesar do atrito, as duas siglas optaram por retomar o diálogo e construir uma frente comum, descrita por lideranças como contrária ao lavajatismo, ao bolsonarismo e ao grupo político ligado ao governador.
Enquanto isso, Sergio Moro tenta se manter como pré-candidato ao governo, mesmo após o anúncio de que o PP, federado ao União Brasil, não pretende homologar seu nome. Em meio à indefinição partidária, legendas menores buscam atrair o ex-juiz da Lava Jato para compor chapas em 2026.
Paralelamente, Ratinho Júnior trabalha na escolha de seu sucessor. Entre os nomes cotados no PSD estão o secretário das Cidades, Guto Silva, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca. Embora Guto seja apontado como favorito do governador, sua indicação enfrenta resistências internas, já que pesquisas iniciais mostram desempenho inferior ao de Curi e Greca, ambos cortejados por outros partidos da base governista.
Foto: Gil Ferreira/SRI-PR

