O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará, nesta sexta-feira (23), da cerimônia de encerramento do décimo quarto Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, marcada para as quinze horas, em Salvador. O evento ocorre no Parque de Exposições Agropecuárias da capital baiana e reúne cerca de três mil camponeses de diferentes regiões do país.

Durante o encontro, os participantes discutem os rumos da luta pela reforma agrária no Brasil, além de estratégias do movimento voltadas à defesa da produção de alimentos saudáveis, da soberania alimentar e do desenvolvimento sustentável no campo. A programação inclui debates políticos, atividades formativas e apresentações culturais, com foco no fortalecimento da organização popular no meio rural.

Aliado histórico do presidente Lula, o MST tem mantido postura crítica em relação às ações do governo federal na área da agricultura familiar. O movimento aponta insatisfação, sobretudo, com o ritmo do assentamento de novas famílias e com a política de desapropriação de terras para fins de reforma agrária.

Em texto divulgado em seu site no mês passado, com balanço das ações de 2025, o MST afirmou que o governo tem priorizado a regularização de famílias já assentadas em áreas antigas, o que, segundo a organização, infla os números oficiais sem representar ampliação real das áreas destinadas à reforma agrária. Para o movimento, esse modelo não garante avanço efetivo na democratização do acesso à terra.

Atualmente, de acordo com o MST, cerca de cem mil famílias permanecem acampadas em todo o país. Somadas a outros movimentos populares do campo, esse número chega a cento e quarenta e duas mil famílias cadastradas no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, aguardando políticas efetivas de assentamento.

No ano passado, o governo federal entregou doze mil e duzentos novos lotes, distribuídos em trezentos e oitenta e cinco mil hectares, beneficiando agricultores sem-terra em vinte e quatro estados. As ações fazem parte do programa Terra da Gente, que prevê o assentamento de duzentas e noventa e cinco mil famílias até o fim de 2026.

Foto: MST/Divulgação


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