O mercado financeiro brasileiro viveu um dia considerado histórico nesta quarta-feira, marcado por forte valorização dos ativos e renovação de recordes na bolsa de valores. O movimento foi impulsionado principalmente pela redução das tensões externas e por sinais de moderação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em temas sensíveis da agenda internacional. O cenário favoreceu a entrada de capital estrangeiro e elevou o apetite por risco no mercado doméstico.
O índice Ibovespa, principal indicador da B3, encerrou o pregão aos 171.817 pontos, com alta de 3,33%, o melhor desempenho diário desde abril de 2023. Ao longo do dia, o índice superou sucessivamente as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e chegou a se aproximar dos 172 mil pontos, refletindo um movimento consistente de compras desde a abertura. O volume financeiro alcançou R$ 43,3 bilhões, muito acima da média registrada em 2026, indicando maior participação de investidores institucionais.
No acumulado do ano, o Ibovespa registra valorização de 6,6%. Até a metade de janeiro, o fluxo líquido de investidores estrangeiros soma R$ 7,6 bilhões, fator apontado por analistas como determinante para o desempenho recente da bolsa. A percepção de melhora do ambiente global e a atratividade relativa dos ativos brasileiros contribuíram para esse movimento.
A valorização ganhou força no período da tarde, acompanhando a melhora dos índices em Wall Street. O alívio nos mercados internacionais ocorreu após Trump adotar um discurso menos agressivo sobre a imposição de tarifas comerciais e descartar o uso da força em disputas geopolíticas envolvendo a Groenlândia. Em Nova York, o índice S&P 500 subiu mais de 1%, reforçando o clima positivo.
No mercado de câmbio, o dólar à vista recuou R$ 0,061, equivalente a queda de 1,1%, encerrando o dia cotado a R$ 5,321. A moeda norte-americana operou em baixa durante todo o pregão, mas a desvalorização se intensificou no fim da tarde, após Trump anunciar recuo na imposição de tarifas contra a União Europeia. Trata-se do menor patamar desde o início de dezembro.
Em 2026, o dólar acumula queda de 3,06%. O enfraquecimento global da moeda, combinado com o fluxo positivo de capitais para o Brasil, ajudou a sustentar o movimento. Dados do Banco Central mostram entrada líquida de US$ 1,54 bilhão no país em janeiro até o dia 16, puxada principalmente pela via financeira.
A redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados os ativos mais seguros do mundo, também contribuiu para aliviar a pressão cambial. Com juros mais baixos nas economias centrais, investidores tendem a buscar retornos maiores em mercados emergentes, como o brasileiro.
Apesar da atenção gerada pela liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master, o episódio não interferiu no humor positivo do mercado. A decisão foi acompanhada de perto, mas não teve impacto relevante sobre os preços dos ativos, que seguiram beneficiados pelo cenário externo mais favorável.
Foto: B3/Divulgação

