O deputado federal e presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força, anunciou sua pré-candidatura ao Senado Federal por São Paulo na noite de sábado, durante a celebração de seu aniversário de 70 anos, realizada em uma casa de eventos na capital paulista. O lançamento ocorreu em clima festivo, mas em um cenário político complexo, já que o parlamentar não conta, neste momento, nem com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem com o respaldo do grupo político do governador paulista, Tarcísio de Freitas.
Durante o discurso, Paulinho afirmou que encara a disputa como mais um desafio em sua trajetória política e sindical. Segundo ele, a decisão de concorrer ao Senado reflete a disposição de continuar atuando na vida pública com protagonismo. O deputado declarou que pretende representar São Paulo com firmeza, diálogo e compromisso com o país, ressaltando que nunca recuou diante de momentos difíceis ao longo de sua carreira.
Paulinho da Força é uma das principais lideranças da Força Sindical, uma das maiores centrais sindicais do Brasil, e acumula longa experiência no Legislativo. Ele exerceu o mandato de deputado federal em cinco legislaturas. Na mais recente eleição, não conseguiu se eleger diretamente, mas assumiu o cargo como suplente após a cassação do mandato do ex-deputado Marcelo Lima, em 2023, por infidelidade partidária.
O apoio político mais relevante manifestado até agora veio do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos. Presente na comemoração, Motta afirmou que Paulinho fará falta na Câmara, mas destacou que ambos seguirão próximos e atuando de forma conjunta na política nacional. A declaração foi interpretada como um gesto de prestígio pessoal e político ao pré-candidato.
Além de Hugo Motta, a festa reuniu outras lideranças políticas, entre elas o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Apesar da presença, ambos estão alinhados ao governador Tarcísio de Freitas, o que, na prática, dificulta um apoio formal à candidatura de Paulinho ao Senado.
O grupo político do governador paulista trabalha com a perspectiva de lançar dois candidatos ao Senado nas próximas eleições. Um dos nomes já encaminhados é o do ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite, atualmente deputado federal pelo PP. Ainda há indefinição sobre o segundo nome da chapa, mas a vaga tende a ser utilizada como moeda de articulação com partidos da base aliada, como PL, PSD ou MDB, a depender do arranjo eleitoral.
Paulinho da Força voltou a ganhar destaque recentemente ao ser escolhido por Hugo Motta para relatar o projeto de lei da anistia aos condenados por atos golpistas, que acabou sendo alterado para tratar apenas da dosimetria das penas. O texto foi aprovado pelo Congresso Nacional, mas acabou vetado pelo presidente Lula.
Em sua trajetória, o deputado também enfrentou controvérsias judiciais. Em 2020, foi condenado a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sob acusação de desvios em contratos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A condenação, no entanto, foi revertida três anos depois, após a Corte reconhecer a falta de provas.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

