A reforma ministerial em gestação nas primeiras semanas do ano provocou um efeito de quase paralisia no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reposicionou a Casa Civil como eixo central das decisões sobre o segundo escalão. A pasta passou a funcionar, nos bastidores, como uma espécie de setor de Recursos Humanos responsável por mapear quadros técnicos e políticos aptos a ocupar cargos estratégicos nos próximos meses.

A secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, assumiu a tarefa de analisar perfis, trajetórias administrativas e vínculos partidários de dirigentes que hoje integram o Executivo. O objetivo é identificar nomes que reúnam capacidade técnica e capital político suficiente para assumir ministérios durante o período eleitoral, quando parte da equipe deverá se afastar para disputar cargos.

O levantamento em andamento deve resultar em uma grande planilha interna, com um detalhamento de “quem é quem” na Esplanada dos Ministérios. A expectativa no Planalto é que esse mapeamento permita decisões rápidas, já que os ocupantes interinos não terão garantia de permanência após as eleições, caso Lula vença e inicie um eventual quarto mandato.

Pelo desenho atual da reforma, ao menos vinte ministros devem deixar os cargos até abril, prazo final para desincompatibilização eleitoral. Outros integrantes do primeiro escalão podem não sair formalmente nesse período, mas devem se licenciar ou abandonar as funções à medida que a campanha ganhar corpo. Um dos exemplos citados internamente é o do chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. No governo, há ceticismo quanto à possibilidade de ele se afastar completamente da condução da propaganda presidencial.

A saída de Fernando Haddad é considerada certa, enquanto outros nomes petistas ainda têm destino indefinido. Rui Costa, ministro da Casa Civil, é apontado como possível candidato ao governo ou ao Senado na Bahia. Nesse cenário, Miriam Belchior surge como principal cotada para assumir o comando da articulação interna do governo.

Entre as trocas mais complexas está a da Secretaria de Relações Institucionais, que ficará vaga com a confirmação da candidatura de Gleisi Hoffmann. A avaliação predominante é que o posto deverá ser ocupado por um dirigente partidário sem ambição eleitoral, diante do esvaziamento da agenda legislativa no Congresso.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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