As remessas de lucros ao exterior realizadas por empresas que operam no Brasil somaram em dezembro US$ 18 bilhões, maior volume mensal já registrado na série histórica do Banco Central iniciada em 1995. O resultado ocorreu às vésperas da entrada em vigor de uma nova tributação sobre essas operações, segundo dados divulgados pela autoridade monetária nesta segunda-feira.

O montante enviado ao exterior no último mês do ano mais que dobrou em relação a dezembro de 2024, quando as remessas totalizaram US$ 8,8 bilhões. Para o Banco Central, o movimento pode estar associado a decisões antecipadas das empresas diante da mudança tributária, mas também reflete o desempenho positivo das companhias ao longo do ano, mesmo em um cenário de preços mais fracos e maior cautela internacional.

Desde janeiro passou a valer a retenção de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre todas as remessas de lucros destinadas ao exterior. A medida foi proposta pelo governo federal e aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, juntamente com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5.000.

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que a antecipação das remessas pode ter sido motivada principalmente pela questão tributária, sem descartar a influência de uma atividade econômica considerada resiliente em 2025.

Em dezembro, as saídas líquidas de lucros reinvestidos alcançaram US$ 11,4 bilhões. Segundo o Banco Central, o resultado negativo indica que a distribuição de resultados superou os lucros efetivamente auferidos pelas empresas no período.

O forte volume de remessas impactou os investimentos diretos no país, que registraram saldo negativo de US$ 5,248 bilhões em dezembro, contra entrada de US$ 160 milhões no mesmo mês de 2024.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


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