O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta terça-feira, por telefone, com o presidente francês Emmanuel Macron, em uma ligação que durou cerca de uma hora.
Durante a conversa, os dois líderes discutiram a proposta do governo dos Estados Unidos de criar um chamado Conselho de Paz, concebido como estrutura paralela à Organização das Nações Unidas.
O tema ganhou destaque após Lula ter falado, na véspera, com o presidente norte-americano Donald Trump, que reiterou convite para participação brasileira.
Segundo interlocutores, Lula voltou a manifestar preocupação com tentativas de esvaziamento da ONU e defendeu que qualquer iniciativa internacional esteja vinculada ao sistema multilateral.
Em nota oficial, o Palácio do Planalto informou que os dois presidentes defenderam “o fortalecimento das Nações Unidas” e concordaram que ações de paz devem respeitar a Carta da ONU.
Os líderes também trataram da situação na Venezuela e condenaram o uso da força em desacordo com o direito internacional, reafirmando compromisso com a estabilidade regional.
De acordo com o Planalto, ambos “concordaram sobre a importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo”.
Outro ponto da conversa foi o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro, ao qual a França mantém resistência política.
Lula reiterou a Macron sua avaliação de que o pacto “é positivo para os dois blocos” e representa defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras.
Os presidentes também discutiram cooperação bilateral, especialmente nas áreas de defesa, ciência, tecnologia e energia, consideradas estratégicas para os dois países.
Segundo o comunicado, Lula e Macron comprometeram-se a orientar suas equipes técnicas para concluir negociações em curso e viabilizar novos acordos até o primeiro semestre de 2026.
A conversa reforçou a estratégia diplomática brasileira de dialogar com diferentes atores globais, buscando soluções políticas negociadas e evitando iniciativas unilaterais que possam fragilizar instituições internacionais consolidadas. Segundo auxiliares, Lula avalia que o debate sobre Gaza exige inclusão palestina, coordenação multilateral e respeito ao direito internacional humanitário, pontos que orientam sua atuação externa. O presidente brasileiro tem defendido cautela institucional e protagonismo da ONU nesses esforços em fóruns globais e regionais com parceiros estratégicos tradicionais e permanentes.
Foto: Ludovic Marin

