A prévia da inflação oficial perdeu força em janeiro e fechou em 0,20%, resultado influenciado principalmente pela redução no custo da energia elétrica. Em dezembro, o índice havia registrado variação de 0,25%, indicando desaceleração no início de 2026.

Com o resultado do primeiro mês do ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 acumulou 4,5% em doze meses, exatamente no limite máximo da meta de inflação estabelecida pelo governo. Em dezembro, o acumulado era de 4,41%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo IBGE.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, dois apresentaram queda de preços na passagem de dezembro para janeiro. O grupo habitação recuou 0,26%, enquanto transportes teve baixa de 0,13%. Os demais grupos registraram alta, com destaque para saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,81%, e comunicação, com elevação de 0,73%.

Dentro do grupo habitação, a conta de luz recuou 2,91%, sendo o principal fator de alívio da inflação no mês. O impacto foi de menos 1,2 ponto percentual sobre o índice geral. A explicação está na mudança da bandeira tarifária definida pela Aneel.

Em dezembro, estava em vigor a bandeira amarela, que previa cobrança adicional de R$ 1,885 a cada cem quilowatt-hora consumidos. Em janeiro, passou a valer a bandeira verde, sem custo extra para os consumidores. “A alteração na bandeira teve impacto direto na desaceleração do índice”, apontou o IBGE.

No grupo transportes, a queda foi puxada principalmente pelas passagens aéreas, que ficaram, em média, 8,92% mais baratas. Também contribuíram os ônibus urbanos, com redução média de 2,79%. Em Belo Horizonte, a adoção da tarifa zero aos domingos e feriados levou a uma queda de 18,26% no preço das passagens.

Os combustíveis, por outro lado, subiram 1,25% e pressionaram o índice. O etanol teve alta de 3,59%, a gasolina avançou 1,01%, o gás veicular subiu 0,11% e o óleo diesel, 0,03%. No caso da gasolina, o impacto foi de 0,05 ponto percentual, o maior individual do IPCA-15 em janeiro.

Para o próximo mês, a expectativa é de alívio nos preços dos combustíveis, após anúncio da Petrobras de redução de 5,2% no preço da gasolina vendida às distribuidoras, a partir desta terça-feira.

O grupo alimentação e bebidas subiu 0,31% em janeiro, acelerando em relação ao 0,13% observado em dezembro. A alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de sete meses de queda e avançou 0,21%. As maiores altas foram registradas no tomate, com 16,28%, na batata-inglesa, com 12,74%, nas frutas, com 1,65%, e nas carnes, com 1,32%.

Na outra ponta, leite longa vida teve queda de 7,93%, arroz recuou 2,02% e café moído caiu 1,22%, ajudando a conter uma pressão maior sobre os preços dos alimentos.

O IPCA-15 utiliza a mesma metodologia do IPCA, índice oficial que orienta a política de metas de inflação, fixada em 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica.

Na prévia divulgada, os preços foram coletados entre treze de dezembro de dois mil e vinte e cinco e quatorze de janeiro de dois mil e vinte e seis. O índice considera uma cesta de produtos e serviços para famílias com renda entre um e quarenta salários mínimos, atualmente fixado em R$ 1.621.

O IPCA-15 pesquisa preços em onze localidades, enquanto o IPCA cheio abrange dezesseis regiões do país. O resultado definitivo de janeiro será divulgado pelo IBGE nas próximas semanas.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


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