O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ironizou nesta quinta-feira o apoio público da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, a uma eventual candidatura sua ao governo de São Paulo. Ao chegar ao Ministério da Fazenda, Haddad comentou de forma bem-humorada a declaração da colega, com quem manteve divergências públicas ao longo do atual governo, especialmente sobre a condução da política econômica.

“Estou comemorando a Gleisi ter me elogiado”, afirmou Haddad, em tom irônico, ao ser questionado por jornalistas. A frase foi interpretada como uma tentativa de reduzir a tensão política em torno do tema e sinalizar que, apesar das manifestações internas no PT, ele não vê a candidatura como algo definido.

Na véspera, Gleisi defendeu que Haddad dispute as eleições deste ano, ressaltando, no entanto, que a decisão depende de conversas entre o ministro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, o partido precisa mobilizar seus principais quadros para enfrentar a extrema-direita nos estados.

“Todos têm que entrar em campo, todos têm que vestir a camisa e fazer aquilo que melhor sabem fazer na disputa. Eu defendo que todos os quadros nossos, inclusive o ministro Fernando Haddad, sejam candidatos nesse processo eleitoral. Nós precisamos disso”, declarou a ministra, ao falar com a imprensa.

A posição de Gleisi segue a linha adotada anteriormente pelo ministro da Educação, Camilo Santana, que afirmou que Haddad não poderia se dar ao “luxo” de tomar uma decisão individual, diante da estratégia nacional do partido para as eleições. A avaliação, dentro do governo, é que nomes com maior projeção precisam assumir protagonismo no embate político regional.

Gleisi também citou a própria experiência ao relatar que pretendia disputar a reeleição como deputada federal, mas aceitou o convite de Lula para concorrer ao Senado pelo Paraná. “Numa conversa com o presidente, ele me chamou para ser candidata a senadora. Eu aceitei com muita alegria”, afirmou, destacando a importância da disputa.

Apesar das pressões, Haddad tem reiterado que não pretende concorrer a cargos eletivos neste momento. Ele indicou que deve deixar o Ministério da Fazenda ainda em fevereiro, mas afirmou que prefere contribuir com a campanha de Lula à reeleição. “Eu não pretendo ser candidato, mas quero colaborar na formulação do programa e na estruturação da campanha”, disse recentemente.

Em 2022, Haddad foi candidato do PT ao governo paulista e obteve o melhor desempenho histórico do partido no estado. Mesmo assim, acabou derrotado no segundo turno por Tarcísio de Freitas, que venceu com 55,34% dos votos válidos.

Foto: Diogo Zacarias/MF


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