O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, confirmou no último sábado, trinta e um, que deixará o comando do Executivo municipal no dia vinte de março para disputar o governo do Estado. A declaração foi feita durante visita a um bar da zona norte da capital fluminense e encerra meses de especulação sobre seu futuro político. Segundo aliados, a decisão já estava tomada, mas foi antecipada para dar clareza ao cenário eleitoral.

No dia dezessete de janeiro, durante agenda no município de Santo Antônio de Pádua, no interior do Rio de Janeiro, Paes já havia admitido publicamente a possibilidade de renunciar ao cargo. À época, ponderou que ainda avaliava o cenário político e eleitoral, mas evitou cravar uma data. “Nada está descartado”, disse naquele momento, mantendo margem para negociação.

Com a saída de Paes, a prefeitura do Rio será assumida pelo vice-prefeito, Eduardo Cavaliere, também filiado ao PSD. A transição deve ocorrer de forma planejada, segundo integrantes do governo municipal, para evitar impactos administrativos. Auxiliares afirmam que os principais projetos da gestão seguirão normalmente.

A confirmação da renúncia marca uma mudança de postura do prefeito. Em declarações anteriores, Paes havia negado que deixaria o mandato antes do fim para disputar o Palácio Guanabara. Nos bastidores, porém, o entendimento era de que o cenário eleitoral e as articulações estaduais tornavam a candidatura praticamente inevitável. “O quadro político se desenhou de forma favorável”, avaliam aliados.

Conforme revelou a Coluna do Estadão, Paes e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, firmaram um acordo político com potencial de beneficiar ambos nas eleições de outubro. Sem um nome competitivo da direita para o governo estadual e diante do favoritismo do prefeito, os atuais ocupantes de cargos estratégicos no estado optaram por uma estratégia de cooperação.

Pelo acordo, Castro poderá concentrar esforços na disputa pelo Senado, sem enfrentar resistência de Paes na capital. Em contrapartida, o prefeito receberia apoio da máquina estadual para ampliar sua presença no interior e na Baixada Fluminense, regiões com grande peso eleitoral. “É um jogo de ganha-ganha”, resume um aliado comum aos dois grupos.

A saída de Castro do governo, necessária para concorrer ao Senado, criará uma situação inédita. O estado está sem vice-governador desde maio do ano passado, quando Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir vaga no Tribunal de Contas. Pela legislação, caberá ao presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, hoje afastado por decisão do STF, abrir caminho para uma eleição indireta.

Nesse cenário, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, assumirá interinamente apenas para conduzir o processo. O nome defendido por Castro para o mandato-tampão é o do secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, recém-filiado ao PL. Ele é visto como “o candidato perfeito”, por ser leal a Castro, não ameaçar Paes e ajudar ambos com a estrutura estadual.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


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