A relação entre o Partido dos Trabalhadores e o Partido Democrático Trabalhista passou por novo momento de tensão após divergências sobre acordos eleitorais envolvendo palanques estaduais. O desentendimento começou depois que o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, divulgou nas redes sociais informações sobre supostos apoios petistas a candidaturas do partido em três estados estratégicos, gerando reação imediata da direção do PT.

Ao comentar um encontro com Edinho Silva, presidente nacional do PT, Lupi afirmou que havia recebido sinalização favorável da legenda para apoiar nomes pedetistas nas disputas estaduais. Na publicação, ele declarou ter “reafirmado a aliança do PDT para reeleger o presidente Lula” e acrescentou que teria recebido “a confirmação do compromisso petista de apoiar as candidaturas ao governo de Juliana Brizola no Rio Grande do Sul, de Alexandre Kalil em Minas Gerais e de Requião Filho no Paraná”.

O dirigente pedetista também demonstrou otimismo quanto ao avanço das negociações eleitorais. “Com a formalização interna do PT nos próximos dias, avançaremos para vencer nesses estados estratégicos”, escreveu Lupi ao comentar a reunião entre as cúpulas partidárias.

A declaração, entretanto, foi contestada pelo Partido dos Trabalhadores poucas horas depois. Em nota oficial, a sigla afirmou que o encontro entre as lideranças teve como foco principal a discussão sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e negou que tenha havido definição sobre alianças regionais.

Segundo o comunicado, a reunião ocorreu para promover “um diálogo de alto nível sobre a reeleição do presidente Lula”, mas “não teve como objetivo a definição dos palanques eleitorais nos estados”. O partido acrescentou que “as definições sobre as candidaturas seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais”.

O episódio repercutiu rapidamente, especialmente em Minas Gerais, onde a disputa pelo comando do governo estadual permanece indefinida dentro do campo progressista. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, pré-candidato pelo PDT, reagiu à polêmica por meio de publicação nas redes sociais.

Eleição é um saco. No meu palanque só sobe quem eu quiser”, escreveu Kalil, em mensagem interpretada como resposta indireta ao impasse envolvendo as negociações entre os partidos.

No cenário mineiro, o PT ainda avalia qual estratégia adotará. Setores da legenda defendem o apoio ao nome de Kalil, enquanto outros grupos defendem candidatura própria ou a formação de aliança em torno do senador Rodrigo Pacheco, que possui interlocução com lideranças nacionais e é visto como opção com capacidade de articulação política.

No Rio Grande do Sul, o campo progressista também enfrenta divisão. A ex-deputada estadual Juliana Brizola, neta do ex-governador Leonel Brizola, representa o PDT, enquanto o PT trabalha a candidatura de Edegar Pretto, atual dirigente da Companhia Nacional de Abastecimento. Ambos já indicaram disposição para diálogo, mas demonstram resistência em abrir mão da liderança das chapas.

Entre os três estados citados, o Paraná aparece como o único onde a aliança entre PT e PDT avançou de forma mais concreta. O diretório estadual petista anunciou apoio ao deputado estadual Requião Filho para a disputa ao governo. O acordo político incluiu rearranjos na composição de candidaturas ao Senado, envolvendo a participação de lideranças nacionais e ajustes estratégicos dentro do bloco governista.

Apesar das divergências, dirigentes das duas siglas indicam que as negociações continuam e que o objetivo comum permanece a construção de alianças capazes de fortalecer o campo político alinhado ao governo federal nas eleições estaduais.

Foto: Reprodução/Redes sociais


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