O Banco de Brasília apresentou ao Banco Central, nesta sexta-feira, um Plano de Capital com medidas voltadas à recomposição do balanço e ao reforço da liquidez da instituição em um prazo máximo de 180 dias. A iniciativa ocorre em meio às apurações sobre operações realizadas com o Banco Master, que provocaram impactos relevantes na situação financeira do banco distrital.
O documento foi entregue pessoalmente pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, ao diretor de Fiscalização do Banco Central, Gilneu Vivan. O secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, também participou do encontro, sinalizando o envolvimento direto do governo local na condução das tratativas com o órgão regulador do sistema financeiro.
Segundo o BRB, o plano reúne ações preventivas que somente serão executadas caso fique comprovada a necessidade de aporte por parte do Governo do Distrito Federal. Essa definição dependerá da conclusão das investigações em andamento, que apuram a extensão das perdas e eventuais irregularidades nas operações realizadas com o Banco Master.
Em nota oficial, o banco afirmou que o objetivo do plano é garantir a sustentabilidade da instituição, preservar a estabilidade de suas operações e assegurar transparência a clientes, investidores e parceiros. O comunicado, no entanto, não detalhou quais medidas concretas foram apresentadas nem indicou valores estimados para eventual recomposição de capital.
Apesar disso, em depoimento prestado à Polícia Federal no fim do ano passado, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que as operações envolvendo o Banco Master teriam provocado um rombo de R$ 5 bilhões no balanço do BRB.
O BRB limitou-se a informar que o plano foi elaborado para proteger os clientes e garantir o funcionamento regular do banco. Segundo a instituição, as medidas propostas fortalecem o capital institucional e asseguram a continuidade das atividades, mesmo em um cenário de incertezas e de restrições fiscais enfrentadas pelo controlador.
Em tese, o banco possui cinco alternativas principais para levantar capital. Entre elas estão a contratação de empréstimos junto a outras instituições financeiras, inclusive bancos privados e o Fundo Garantidor de Créditos, além da venda de ativos considerados estratégicos, como carteiras imobiliárias e créditos concedidos a estados e municípios.
Outra possibilidade analisada é a criação de um fundo imobiliário com terrenos e imóveis pertencentes ao Governo do Distrito Federal, que seriam transferidos ao banco. Também estão no radar aportes diretos do Tesouro distrital ou a concessão de empréstimos do próprio governo local, com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e posterior repasse ao BRB.
As medidas que envolvem recursos públicos dependem de autorização da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O plano tem como finalidade injetar liquidez, reduzir o tamanho da instituição e diminuir a necessidade de novos aportes do controlador, especialmente em um contexto de limitações fiscais.
Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo informou que o BRB teria vendido cerca de R$ 5 bilhões em ativos de alta qualidade, como crédito consignado e antecipação de saques do Fundo de Garantia, para conter a fuga de capitais após a liquidação do Banco Master.
O banco também negociaria a venda de quase R$ 1 bilhão em carteiras de crédito concedidas a estados e municípios, com garantias do Tesouro Nacional, operação que pode render cerca de R$ 730 milhões em valor presente. Além disso, tenta se desfazer de fundos de investimento adquiridos do próprio Banco Master.
As investigações apuram a compra de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, com indícios de ativos superfaturados ou inexistentes. O BRB afirma que cerca de R$ 10 bilhões já foram substituídos ou liquidados e nega qualquer bloqueio de bens.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

