A atividade econômica brasileira apresentou crescimento ao longo de 2025, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Banco Central. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, registrou alta de 2,5% no acumulado do ano em comparação com o período anterior, indicando expansão moderada da economia nacional.
O resultado foi influenciado principalmente pelo desempenho da agropecuária, que cresceu 13,1% no período, refletindo fatores como aumento da produtividade e bom desempenho das exportações. A indústria apresentou avanço de 1,5%, enquanto o setor de serviços, responsável por parcela significativa da atividade econômica, teve crescimento de 2,1% no mesmo intervalo.
Quando excluída a agropecuária do cálculo, o IBC-Br registrou alta de 1,8% em 2025, evidenciando um ritmo mais contido de crescimento nos demais segmentos da economia. O indicador reforça a avaliação de desaceleração gradual ao longo do segundo semestre do ano passado.
No recorte mensal, o índice apresentou recuo de 0,2% em dezembro na comparação com novembro, considerando dados dessazonalizados. Já em relação a dezembro de 2024, o resultado foi positivo, com alta de 3,1%, sem ajuste sazonal, uma vez que a comparação ocorre entre meses equivalentes.
No trimestre encerrado em dezembro, em comparação com o trimestre finalizado em setembro de 2025, o IBC-Br apresentou crescimento de 0,4%. O desempenho confirma a trajetória de moderação da atividade econômica, sem interrupção abrupta do crescimento.
O IBC-Br reúne informações sobre o nível de atividade da indústria, do comércio, dos serviços, da agropecuária e da arrecadação de impostos. Embora não substitua o Produto Interno Bruto, o indicador é utilizado como referência pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central na análise do cenário econômico.
Esses dados auxiliam as decisões do Copom, responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano. A Selic é o principal instrumento da política monetária para o controle da inflação, cuja meta oficial é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, reduzindo o consumo e o crédito. Juros mais altos encarecem financiamentos, estimulam a poupança e ajudam a conter a inflação, mas também podem limitar a expansão da economia.
Quando a Selic é reduzida, o crédito tende a ficar mais barato, incentivando a produção e o consumo. Esse movimento estimula a atividade econômica, mas pode reduzir o controle sobre a inflação, exigindo monitoramento constante das pressões de preços.
Em janeiro, a inflação oficial ficou em 0,33%, impactada principalmente pelos reajustes na conta de luz e nos preços da gasolina. O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e manteve o mesmo patamar registrado em dezembro.
Com esse desempenho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo acumulou alta de 4,44% em 2025, permanecendo dentro do intervalo de tolerância da meta inflacionária. A combinação entre inflação controlada e sinais de moderação da atividade levou o Copom a manter a Selic pela 5ª reunião consecutiva, no fim de janeiro.
Na ata da reunião, o Copom indicou que deve iniciar a redução dos juros na próxima reunião, prevista para março, sem detalhar a magnitude do corte. O comitê ressaltou que, apesar da desaceleração, a economia segue operando acima do seu potencial.
Segundo o Banco Central, alguns fatores ainda pressionam os preços, tanto correntes quanto esperados, especialmente o dinamismo observado no mercado de trabalho. Por esse motivo, os juros devem permanecer em níveis considerados restritivos.
A Selic está no maior patamar desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano. Após cair para 10,5% em maio de 2024, a taxa voltou a subir a partir de setembro daquele ano, alcançando 15% na reunião de junho de 2025, nível mantido desde então.
Divulgado mensalmente, o IBC-Br utiliza metodologia diferente da aplicada ao cálculo do PIB, indicador oficial da economia. Segundo o Banco Central, o índice contribui para a formulação da política monetária, mas não deve ser interpretado como uma prévia direta do PIB.
O PIB corresponde à soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país. No 3º trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 0,1%, resultado considerado estabilidade pelo IBGE. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está prevista para 3 de março.
Em 2024, o PIB registrou crescimento de 3,4%, marcando o 4º ano consecutivo de expansão e o melhor resultado desde 2021, quando a economia avançou 4,8%.
Foto: CNA/ Wenderson Araujo/Trilux

