Os financiamentos destinados às famílias que perderam suas casas nas fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais seguirão o modelo aplicado nas enchentes do Rio Grande do Sul há dois anos, afirmou neste sábado, dia vinte e oito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após reunião com prefeitos de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, o presidente declarou que a União oferecerá apoio integral às cidades afetadas pelo desastre climático.
Segundo Lula, o governo federal atuará tanto na reconstrução de moradias quanto na recuperação econômica local. As medidas incluem assistência técnica às prefeituras, repasses para obras emergenciais e linhas de crédito destinadas a pequenos empresários prejudicados pelos temporais. “Aprendemos com a tragédia no Rio Grande do Sul. Vamos ajudar os prefeitos a recuperar suas cidades, vamos ajudar os pequenos empresários a ter crédito para recuperar suas empresas e vamos dar casa para as pessoas que perderam suas casas”, afirmou.
O presidente determinou ainda a criação de um escritório federal em Juiz de Fora para centralizar e acelerar as ações de reconstrução. A estrutura deverá reunir representantes de diferentes ministérios, com o objetivo de agilizar a análise de projetos e a liberação de recursos.
Assim como ocorreu no Rio Grande do Sul, as novas moradias não serão construídas em áreas consideradas de risco. Lula explicou que o governo priorizará terrenos seguros e, caso o município não disponha de áreas adequadas, poderá ser adotado o sistema de compra assistida. Nesse formato, a família recebe recursos da União para adquirir um imóvel novo ou usado em qualquer cidade do estado, com todo o custo arcado pelo governo federal. “Se a cidade não tiver terreno, vamos arrumar. Se não tiver, vamos adotar o sistema de compra assistida”, declarou.
O presidente ressaltou que a prioridade é garantir moradia digna e segura, evitando que famílias retornem a encostas ou regiões sujeitas a alagamentos. Pela manhã, Lula sobrevoou áreas atingidas e visitou bairros devastados em Juiz de Fora, município que concentra o maior número de vítimas e milhares de desalojados. Ele também conversou com moradores acolhidos em abrigos improvisados.
Além de Juiz de Fora, cidades como Ubá, Matias Barbosa, Divinésia e Senador Firmino registraram deslizamentos, alagamentos e danos a prédios públicos. Em encontros com prefeitos, o presidente solicitou levantamento detalhado dos prejuízos para viabilizar a liberação de verbas federais. “O que for material, seja na saúde, na educação ou na infraestrutura, nós vamos garantir que seja recuperado”, disse.
O governo já anunciou recursos para ações emergenciais e assistência humanitária nas cidades em situação de calamidade pública. Os valores serão destinados à recomposição de serviços essenciais, manutenção de abrigos e reconstrução de estruturas públicas.
Também foi confirmada a antecipação do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada para famílias atingidas. Moradores poderão solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço conforme as regras para desastres naturais. Pequenos empresários terão acesso facilitado a crédito para recompor estoques e equipamentos.
Ao final da agenda, Lula afirmou que o apoio federal não dependerá de alinhamento político. “Não importa o partido do prefeito. Teve problema na cidade, tem projeto bem-feito e demanda verdadeira, nós vamos ajudar”, declarou.
O presidente reconheceu que vidas perdidas não podem ser recuperadas, mas reiterou o compromisso de restabelecer condições de moradia e infraestrutura. “A vida a gente não consegue trazer de volta. Mas podemos garantir que as pessoas tenham perspectiva e dignidade para recomeçar”, concluiu.
Participaram da visita os ministros das Cidades, da Saúde, da Integração e Desenvolvimento Regional e do Desenvolvimento e Assistência Social, além do presidente da Caixa Econômica Federal, do senador Rodrigo Pacheco e de prefeitos da região. A prefeita de Juiz de Fora afirmou que os municípios irão apresentar levantamento detalhado das necessidades. A cerimônia foi encerrada com um minuto de silêncio em memória das vítimas do desastre climático.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

