O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) condiciona sua eventual candidatura ao governo de Minas Gerais à costura de um acordo nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com MDB ou União Brasil para impedir que essas legendas apoiem a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar deverá deixar o PSD e negocia filiação a 2 partidos, mas exige garantias políticas antes de oficializar a decisão.
Pacheco e Lula estiveram juntos no sábado em visita a cidades da Zona da Mata mineira atingidas por enchentes recentes. Aliados relatam que o senador não demonstra resistência a disputar o Executivo estadual e abrir palanque para Lula em 2026. No entanto, quer segurança de que sua entrada na corrida será viável do ponto de vista nacional e não ficará isolada politicamente.
O entorno do senador avalia que um acordo exclusivamente estadual não resolve o problema. A preocupação é que MDB ou União Brasil possam, em nível nacional, optar por compor com Flávio Bolsonaro, o que enfraqueceria a candidatura de Pacheco em Minas e criaria um palanque dividido.
Ambas as legendas mantêm diálogo com o governo federal, mas também fazem acenos ao bolsonarismo. Há receio, por exemplo, de que a direção nacional do MDB indique a vice na chapa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em sua tentativa de reeleição. Esse movimento poderia dificultar a sustentação de um projeto alinhado a Lula em Minas.
O União Brasil também tem pontes com o bolsonarismo e, na última semana, fechou acordo com Flávio para palanque no Rio de Janeiro. O gesto aumentou a cautela no entorno de Pacheco, que quer evitar qualquer surpresa após oficializar eventual filiação.
Apesar disso, o senador tem expectativa de que Lula atue pessoalmente junto às cúpulas partidárias para buscar um compromisso nacional. Nos bastidores, é citada a possibilidade de oferecer ao MDB a vaga de vice na chapa presidencial como parte da estratégia para consolidar apoio ou ao menos neutralidade.
O prazo pressiona as negociações. A partir de 4 de abril, quem quiser disputar as eleições não poderá mais trocar de partido. Isso significa que Pacheco tem pouco mais de 1 mês para definir seu destino partidário e estruturar o projeto eleitoral.
Mesmo que não seja possível garantir apoio formal à reeleição de Lula, aliados defendem que o mínimo necessário é assegurar que a nova legenda não integre a coligação de Flávio. A neutralidade já seria considerada avanço estratégico.
Além da interlocução direta entre Lula e as direções nacionais, ministros do MDB como Renan Filho (Transportes), Simone Tebet (Planejamento) e Jader Filho (Cidades) devem participar das conversas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também é citado como peça importante na articulação.
Durante a agenda conjunta em Minas, Lula fez elogios públicos a Pacheco e destacou a retomada do diálogo entre ambos, sinalizando interesse em mantê-lo como aliado estratégico.
Pacheco precisa deixar o PSD porque o partido filiou o vice-governador Matheus Simões no fim do ano passado com a intenção de lançá-lo candidato ao governo mineiro.
No campo da direita, o palanque presidencial em Minas ainda não está fechado. O grupo se divide entre as pré-candidaturas de Simões, do senador Cleitinho (Republicanos) ou a possibilidade de o PL lançar nome próprio, o que mantém o cenário estadual aberto e dependente das definições nacionais.
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

