A inflação oficial do país registrou variação de 0,7% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, dia 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado representa aceleração em relação a janeiro, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo havia registrado alta de 0,33%.
Mesmo com o aumento na comparação mensal, o índice acumulado em 12 meses apresentou recuo. A inflação oficial ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior de doze meses. O resultado permanece dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo sistema de metas de inflação do governo federal.
No acumulado do ano, considerando janeiro e fevereiro, o IPCA soma alta de 1,03%. De acordo com o IBGE, embora o índice mensal tenha aumentado, o resultado de fevereiro é o menor para esse mês desde 2020, quando a taxa havia sido de 0,25%.
O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, explicou que o desempenho de fevereiro deste ano difere do observado no mesmo período do ano passado. Em fevereiro de 2025, o índice havia alcançado 1,31%, influenciado principalmente pelo grupo Habitação, em razão do impacto na conta de energia elétrica provocado pelo fim do chamado bônus de Itaipu.
Em 2026, esse fator não esteve presente, o que contribuiu para reduzir a pressão inflacionária. Ainda assim, o grupo Educação apresentou forte aumento no mês. Os preços ligados à educação registraram variação de 5,21%, refletindo os reajustes anuais de mensalidades de escolas e cursos realizados no início do ano letivo.
Segundo o IBGE, esse grupo respondeu por cerca de 44% de toda a inflação registrada em fevereiro. Dentro da categoria, os cursos regulares tiveram aumento de 6,2%. Os maiores reajustes ocorreram no ensino médio, que subiu 8,19%, no ensino fundamental, com alta de 8,11%, e na pré-escola, que registrou aumento de 7,48%.
Outro grupo que exerceu influência relevante no índice foi o de Transportes. Juntos, Educação e Transportes representaram aproximadamente 66% da variação total do IPCA no mês de fevereiro.
No caso dos transportes, o destaque foi o aumento das passagens aéreas, que tiveram alta de 11,4%. Também registraram elevação o seguro voluntário de veículos, com aumento de 5,62%, o conserto de automóveis, que subiu 1,22%, e as tarifas de ônibus urbano, com variação de 1,14%.
Já os combustíveis apresentaram comportamento misto no período. O índice geral desse grupo ficou em -0,47%. Houve queda nos preços da gasolina, que recuou 0,61%, e do gás veicular, que caiu 3,10%. Por outro lado, o etanol registrou alta de 0,55% e o óleo diesel teve aumento de 0,23%.
O grupo Alimentação e bebidas apresentaram variação moderada, passando de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. A alimentação no domicílio teve aumento de 0,23%, influenciado principalmente pela elevação de alguns produtos.
Entre os alimentos que registraram maiores altas estão o açaí, com aumento de 25,29%, o feijão carioca, que subiu 11,73%, o ovo de galinha, com alta de 4,55%, e as carnes, que registraram elevação de 0,58%.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda de preços no período. As frutas tiveram redução de 2,78%, o óleo de soja caiu 2,62%, o arroz recuou 2,36% e o café moído registrou queda de 1,20%.
A alimentação fora do domicílio também apresentou desaceleração. O índice passou de 0,55% em janeiro para 0,34% em fevereiro. O preço médio das refeições caiu de 0,66% para 0,49%, enquanto os lanches passaram de 0,27% para 0,15%.
Segundo o gerente da pesquisa, o comportamento dos alimentos também mostra desaceleração quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Em fevereiro de 2025, por exemplo, produtos como o ovo de galinha e o café moído haviam registrado aumentos muito mais elevados, de 15,39% e 10,77%, respectivamente.
No levantamento atual, o café moído acumula oito meses consecutivos de queda nos preços. Mesmo com essa sequência de retrações, o produto ainda apresenta variação acumulada de 10,13% nos últimos doze meses.
Outro alimento que apresentou forte queda ao longo do último ano foi o arroz. Segundo o IBGE, o produto acumula redução de 27,86% em doze meses, resultado associado à boa oferta do cereal no mercado.
Além do IPCA, o IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Em fevereiro, o INPC teve alta de 0,56%, valor 0,17 ponto percentual superior ao registrado em janeiro, quando o índice ficou em 0,39%.
No acumulado do ano, o INPC soma aumento de 0,95%. Já nos últimos doze meses, o índice ficou em 3,36%, abaixo dos 4,30% registrados no período imediatamente anterior.
Dentro da composição do INPC, os produtos alimentícios passaram de alta de 0,14% em janeiro para 0,26% em fevereiro. Já os produtos não alimentícios tiveram aumento de 0,66% no mês, acima da variação de 0,47% registrada no primeiro mês do ano.
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

