O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, admitiu que mantém conversas com lideranças do Partido Liberal sobre uma possível candidatura ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026, mas afirmou que não tem atuado para viabilizar seu nome no processo político. A declaração foi dada em entrevista na qual o empresário comentou as articulações que vêm sendo discutidas nos bastidores da política mineira.

Roscoe passou a ser citado como possível candidato após seu nome aparecer em um documento atribuído ao senador Flávio Bolsonaro, que circulou entre dirigentes do PL com projeções de chapas majoritárias nos estados. O material acabou vazando após uma reunião da cúpula do partido em Brasília e incluía indicações para cargos de governador, vice e senadores em diferentes unidades da federação.

Segundo Roscoe, a menção ao seu nome no documento não foi totalmente inesperada, já que ele vinha mantendo conversas com integrantes da legenda. Ainda assim, afirmou ter ficado surpreso com a divulgação do material. De acordo com o empresário, existe dentro do partido a avaliação de que ele poderia integrar um projeto político em Minas Gerais, seja como candidato principal ou em uma eventual composição.

O presidente da Fiemg também confirmou que conversou diretamente com o senador Flávio Bolsonaro e com o senador Rogério Marinho, que coordena articulações políticas dentro do PL. Apesar disso, afirmou que não está conduzindo uma campanha para se tornar candidato e que não tem buscado alianças políticas neste momento.

Roscoe dirige a entidade que representa as indústrias mineiras há quase oito anos e anunciou que deixará a presidência da federação até abril, mesmo tendo mandato previsto até o final do ano. Desde o final de 2024 ele passou a admitir publicamente a possibilidade de participar da disputa eleitoral no estado.

O empresário afirmou que ainda avalia se participará do processo eleitoral e que sua eventual candidatura dependeria da construção de um projeto político que considere consistente. Segundo ele, a decisão não envolve um projeto pessoal de poder.

Roscoe também afirmou que muitas pessoas próximas demonstram resistência à ideia de que ele entre na política eleitoral. Segundo ele, amigos e familiares têm apontado os desafios da gestão estadual e as dificuldades envolvidas na administração pública.

Nos bastidores do PL mineiro, o nome do presidente da Fiemg passou a ser considerado como uma alternativa à candidatura do senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, que também é apontado como possível concorrente ao governo do estado. O cenário eleitoral mineiro ainda está em formação e deve envolver diferentes lideranças políticas.

Entre os nomes citados para a disputa está o senador Rodrigo Pacheco, do PSD, que tem sido apontado por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como possível candidato apoiado pelo governo federal em Minas Gerais.

Apesar de aparecer como opção dentro do PL, Roscoe afirmou que sua preferência inicial seria ver o deputado federal Nikolas Ferreira disputando o governo do estado. O parlamentar, no entanto, já declarou que não pretende concorrer a cargos do Executivo nas próximas eleições.

O empresário também comentou sua atuação à frente da Fiemg e lembrou que, ao longo dos últimos anos, participou de debates importantes sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico em Minas Gerais. Em diversos momentos, a entidade que preside manteve interlocução direta com o governo estadual, inclusive com posicionamentos públicos de divergência em relação a determinadas medidas.

Ao comentar o cenário político nacional, Roscoe afirmou que tem posições críticas em relação a algumas decisões institucionais recentes. O empresário declarou avaliar negativamente a atuação do Supremo Tribunal Federal em determinados episódios.

Ele também criticou o julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Roscoe, o país vive um momento de forte polarização política e institucional.

Mesmo diante das especulações, o presidente da Fiemg afirmou que ainda não tomou qualquer decisão definitiva sobre participar da eleição de 2026. De acordo com ele, caso seu nome seja colocado oficialmente como opção, a decisão dependerá da análise do contexto político e das condições apresentadas para a disputa.

Roscoe afirmou que, se houver uma definição nesse sentido, avaliará se o projeto político proposto é compatível com sua visão de gestão pública e com as responsabilidades que teria ao assumir um eventual cargo executivo no estado.

Foto: Isis Grazielle


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